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Correio da Manhã

Política
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PAN recusa entrar no Governo, diz André Silva

Apesar das sondagens, porta-voz do partido rejeita a entrada num Executivo para assumir a pasta do Ambiente.
Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) e Diana Ramos 14 de Setembro de 2019 às 01:30
Eleições Autárquicas 2019: entrevista com André Silva na CMTV
Eleições Autárquicas 2019: entrevista com André Silva na CMTV
Eleições Autárquicas 2019: entrevista com André Silva na CMTV
Eleições Autárquicas 2019: entrevista com André Silva na CMTV
Eleições Autárquicas 2019: entrevista com André Silva na CMTV
Eleições Autárquicas 2019: entrevista com André Silva na CMTV
Eleições Autárquicas 2019: entrevista com André Silva na CMTV
Eleições Autárquicas 2019: entrevista com André Silva na CMTV
Eleições Autárquicas 2019: entrevista com André Silva na CMTV
Eleições Autárquicas 2019: entrevista com André Silva na CMTV
Eleições Autárquicas 2019: entrevista com André Silva na CMTV
Eleições Autárquicas 2019: entrevista com André Silva na CMTV
Rejeita o rótulo de radical, nega ser contra a economia de mercado, defende até a construção de pequenas barragens. André Silva, porta-voz do PAN, deu mais detalhes sobre as políticas que o partido defende, mas nem as sondagens que lhe apontam mais deputados o convence a ir para o Governo ao lado do PS. 


Octávio Ribeiro - Defende uma maior dignificação do ministro do Ambiente. Devia ficar à frente de que ministro, numa futura hierarquia de Governo?
André Silva – Em segundo na hierarquia, logo depois do primeiro-ministro.

-Muito acima do ministro da Agricultura, que é alvo das suas críticas...
- Capoulas Santos é competente, não tem é sensibilidade para estas matérias. Não há uma referência à agricultura biológica no programa do PS. O PAN dá uma ênfase enorme a esse setor. Não quero com isto dizer que o ministro da Agricultura não tem importância, parece-me é redutor que o ministro do Ambiente, do Mar e da Agricultura ocupem os três últimos lugares da hierarquia do atual Governo.

- Se o PAN for o partido charneira numa situação em que não haja maioria absoluta, e as sondagens apontam nesse sentido, o PAN admite fazer um acordo de incidência governativa com o PS?
- Esse cenário está fora de questão, o PAN não estará no próximo Governo. O PAN é um partido pequeno que está em processo de crescimento e a amadurecer, a fazer o seu caminho. Estamos disponíveis para encetar conversas com todos os partidos, mesmo com aqueles que dizem que não têm pontes connosco.

-Posso fazer a síntese de que o PAN não quer ir para o Governo para não sofrer desgaste e porque deixaria de ser considerado radical?
- Penso que não somos radicais. Somos radicais no sentido de irmos à raiz dos problemas...

- O discurso do PAN é quase dilemático. Há coisas que defende que, se se fizessem todas, o País não funcionaria...
- Acho que não. Há dois interesses que chocam: o do curto prazo, de crescimento e do lucro económico; e outro é a preservação de recursos e meios (...). O PAN nada tem contra a economia de mercado, pelo contrário, mas ela deve ter mais regras garantísticas para o bem comum.

-Na questão das barragens, defende que não se devem construir mais. Isto num país pequeno, com Espanha ao lado onde nascem os principais rios...
- Se estivéssemos a falar há vinte anos, diria que podíamos construir barragens, porque a alternativa era queimar carvão para criar energia. As barragens eram a solução mais ecológica. À beira de 2020, o que nos diz a tecnologia é que a produção de energia solar já dá folga para podermos fechar as centrais a carvão e não construirmos mais barragens.

- Mas a questão é também a desertificação. Se não retém águas em barragens, como alimentará mais portugueses?
- Temos de construir várias pequenas barragens e pequenos açudes para retenção de água, mas não precisamos de barragens de grande dimensão. Construir pequenas barragens é desejável e contribui para a preservação dos habitats.


"Serviços veterinários com IVA à taxa de 13%"
O.R - Qual a seria a primeira medida a implementar para os animais?
André Silva – A redução da taxa de IVA para a alimentação e serviços veterinários. Seria sensato reduzi-la para a taxa intermédia [13%]. Há agregados em que o único ponto de contacto é o animal de companhia, sendo que muitas dessas pessoas vivem com dificuldades económicas.

- E na área da Justiça?
- Mais meios para a PJ e MP com vista ao combate à corrupção. Além disso, é importante caminharmos para processos que aumentem a transparência. E há pequenos ajustes a fazer: veja-se o caso do juiz Rui Rangel, que não é entendível. O PAN está disponível para encontrar uma solução legislativa para que alguém que está acusado de corrupção não possa julgar casos nesta área.

-E quanto à educação? Que prioridades tem?

- Caminharmos para encontrar formas de compensar os docentes, encontrando um estatuto que lhes confira um estatuto de desgaste rápido. E é preciso dar tempo aos alunos, reduzindo a carga formativa.

- Acha que distinguir alunos não é importante?
- O problema do mérito é que está sempre ligado à condição social e não havendo igualdade de oportunidades, a meritocracia é distorcida. O que defendemos é uma avaliação mais contínua e que sejam apreendidos todos os referenciais. Temos é cada vez mais uma escola-fábrica, com excesso de carga horária.

- E na saúde?
- Faltam médicos no SNS pois o Estado não tem conseguido captá-los. Defendemos que se inicie um debate sobre a exclusividade de médicos no SNS, com a devida compensação salarial.


Chimpanzé ser mais humano "foi um erro"
Numa entrevista em 2015, o porta-voz do PAN afirmou: "Há características mais humanas num chimpanzé ou num cão do que numa pessoa em coma."

Esta sexta-feira, André Silva reconheceu a falha. "Não tive forma de contextualizar e foi um erro meu", assumiu.


Gosta do Porto e da Briosa e viveu em Barrancos

André Silva já quase não vê futebol, mas gosta que o Porto alcance bons resultados e gostava de ver a Académica de Coimbra na I Liga.

O porta-voz do PAN é agnóstico, apesar de ter feito nove anos de catequese na Igreja Católica.

Quanto ao passado, o também vegano contou à CMTV que passava as férias de verão em Vila de Besteiros, Tondela, com os avós, e que chegou a viver em Barrancos, terra dos touros de morte. "Guardo com saudades a simpatia daquela população."
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