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Correio da Manhã

Política
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Passos acusado de não defender interesses de Portugal

A oposição parlamentar acusou esta sexta-feira em bloco o primeiro-ministro de não ter iniciativa e de não defender os interesses de Portugal no seio da União Europeia, durante o debate parlamentar para preparar o Conselho Europeu da próxima semana.

7 de Dezembro de 2012 às 13:28
Seguro lamentou que "a maioria de líderes europeus conservadores e liberais" não tenham conseguido aplicar o pacto para o crescimento
Seguro lamentou que 'a maioria de líderes europeus conservadores e liberais' não tenham conseguido aplicar o pacto para o crescimento FOTO: LUSA

As primeiras acusações surgiram da bancada socialista, pela voz do secretário-geral do partido, António José Seguro, que destacou o "momento importante" que vive a Europa por não ter conseguido ainda um acordo em relação aos orçamentos plurianuais e pela entrada em recessão da Zona Euro.

Insistindo na crítica que tem feito à solução europeia para a crise, que diz limitar-se à "receita da austeridade", Seguro lamentou que "a maioria de líderes europeus conservadores e liberais" não tenham conseguido aplicar o pacto para o crescimento, em conjunto com o novo tratado fiscal, aprovado em Junho.

"Quando o primeiro-ministro vem dizer que este é um grande momento e que finalmente a união económica e monetária vai ser completada e vai ter dimensão económica, nós não temos essa certeza porque não acreditamos na convicção das suas palavras e na convicção das palavras dos líderes europeus", referiu Seguro.

Defendendo que é necessário "dotar de mais recursos o orçamento da União" e que "as propostas concretas existem", o secretário-geral do PS acusou o Governo de não ter "iniciativa, mesmo quando há dinheiro à disposição de Portugal", salientando decisões tomadas em Bruxelas em Junho que, considerou, poderiam beneficiar a economia nacional.

"O primeiro-ministro cruza os braços, porque se resigna, é incapaz de defender na Europa os interesses de Portugal e das empresas portuguesas", afirmou.

"Aquilo de que a Europa e Portugal precisam é de uma aliança de países com interesses comuns capazes de erguer a sua voz independentemente das famílias politicas e de defender os interesses das pessoas", afirmou, dizendo ainda a Passos Coelho que espera que os dados hoje divulgados pelo INE lhe "façam soar a campainha".

"O seu tempo está a esgotar-se", disse.



Também o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou as políticas europeias, que considerou estarem totalmente desajustadas dos princípios da "solidariedade", "convergência" e "coesão" que supostamente inspiraram a construção da UE.

Para Jerónimo de Sousa, é especialmente grave e sintomático "o balanço da década do euro", que disse ter sido de "estagnação" e de subidas de salários em todos os países muito inferiores ao aumento dos lucros das empresas: "Não é possível uma moeda única que sirva igualmente os interesses e as necessidades muito distintas dos diversos estados membros", afirmou.

"Até onde este Governo estará disposto a abdicar dos interesses nacionais? Até onde está disposto a apoiar neste Conselho Europeu os novos passos que se preparam para fixar em centros de decisão comandados pelo capital transnacional a condução da nossa política económica e orçamental, a supervisão federalista, as sanções sobre quem queira afirmar a soberania e os interesses nacionais?", questionou.

Pelo Bloco de Esquerda, Ana Drago considerou que nas cimeiras europeias a questão é saber quem é que Passos Coelho representa "e por quem se bate".

"A cada cimeira o senhor primeiro-ministro entende que a cada projecto apresentado, mesmo prejudicando os interesses do País, Portugal quer ser bom aluno e o senhor desvela-se pelo carinho da senhora Merkel", afirmou, defendendo que Portugal deveria renegociar os termos do memorando da ajuda externa ou pedir juros iguais aos pagos pela banca, por exemplo.

Considerando que a política europeia de Passos Coelho é "uma desgraça", Ana Drago considerou que o primeiro-ministro "tem de ser afastado".

A deputada Heloísa Apolónia lamentou que na sua intervenção inicial o primeiro-ministro tenha falado "tanto dos bancos e do sistema financeiro e tão pouco das pessoas".

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