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Correio da Manhã

Política
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Passos Coelho cria grupo de reflexão

O ambiente na reunião do conselho nacional do PSD, realizada sexta-feira à noite, esteve muito longe da tensão de outras reuniões, mas ficou o registo de duas visões sobre a forma de fazer oposição. A líder do partido, Manuela Ferreira Leite, repetiu o discurso proferido no jantar com a bancada, insistindo na tónica de que os sociais-democratas devem fiscalizar o Executivo, mostrar os seus erros e responsabilizá-lo. E, a seu tempo, apresentar propostas.
20 de Julho de 2008 às 00:30
Pedro Passos Coelho vai promover reflexão estratégica sobre o País a partir do mês de Setembro
Pedro Passos Coelho vai promover reflexão estratégica sobre o País a partir do mês de Setembro FOTO: Duarte Roriz

Passos Coelho, o seu adversário nas eleições directas, optou por anunciar que vai promover um grupo de reflexão a partir de Setembro e que o partido tem de ter um projecto alternativo. Logo que possível.

A grande novidade da reunião foi a plataforma de reflexão a promover por Passos Coelho.

Questionado pelo CM se do grupo de reflexão sairá um programa de governo, Passos Coelho recusa a ideia. "Não é esse o objectivo", garante, apesar de ter demonstrado que não concorda com a actual estratégia da líder: "A dra. Manuela Ferreira Leite lançou temas que são importantes para o debate político e agora precisa de dar um passo a mais, e dizer a todos os portugueses que pode haver uma esperança, que pode haver um programa de alternativa, protagonizado pelo PSD".

Em cima da mesa do grupo de reflexão vão estar temas tão vastos como a economia, a questão social, energia, ordenamento do território, entre tantos outros. Passos Coelho recorda, por exemplo, a questão do recurso à energia nuclear. Apesar de não ser adepto da mesma, reconhece que o tema tem de ser debatido. "A questão do nuclear não é ideológica", concluiu.

Sequência ou não da criação do grupo de reflexão, Alexandre Relvas, presidente do Instituto Progresso Social e Democracia (IPSD), convidou António Nogueira Leite, apoiante de Passos Coelho, para colaborar com o Instituto. Isto depois de Miguel Relvas, o principal rosto dos apoiantes de Passos Coelho, não ter sido reconduzido na equipa e do próprio ex-candidato à liderança do PSD ter admitido que o projecto da plataforma poderia ser, de alguma forma, uma resposta à exclusão de pessoas do seu núcleo duro. Ao CM, Nogueira Leite recusa que a sua colaboração corresponda a qualquer tipo de quota, associada ao ‘passismo’. Os regulamentos da anterior direcção foram suspensos, com contestação residual.

PORMENORES

CRÍTICAS

Luís Montenegro e Nuno Delarue foram as vozes críticas aos regulamentos internos.

ÂNGELO CORREIA

Ângelo Correia afirmou ontem à RR que a plataforma proposta por Passos Coelho não é oposição interna. Quanto à estratégia de Ferreira Leite sustenta: "Eu não diria que é errada. Diria que é inexistente".

 

 

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