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Correio da Manhã

Política
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Passos Coelho: "Governo tem de fazer obras acordadas"

Líder social-democrata defende Ventura e Leal Coelho.
Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) e Diana Ramos 15 de Setembro de 2017 às 01:50
Octávio Ribeiro, diretor do CM e da CMTV, conduziu a entrevista a Passos Coelho
Passos chegou com ar descontraído, após um dia de pré-campanha autárquica pelo distrito de Castelo Branco
Passos chegou com ar descontraído, após um dia de pré-campanha autárquica pelo distrito de Castelo Branco
Passos defendeu André Ventura
O cenário escolhido para a entrevista foi a Casa de Artes e Cultura
O cenário escolhido para a entrevista foi a Casa de Artes e Cultura
Octávio Ribeiro, diretor do CM e da CMTV, conduziu a entrevista a Passos Coelho
Passos chegou com ar descontraído, após um dia de pré-campanha autárquica pelo distrito de Castelo Branco
Passos chegou com ar descontraído, após um dia de pré-campanha autárquica pelo distrito de Castelo Branco
Passos defendeu André Ventura
O cenário escolhido para a entrevista foi a Casa de Artes e Cultura
O cenário escolhido para a entrevista foi a Casa de Artes e Cultura
Octávio Ribeiro, diretor do CM e da CMTV, conduziu a entrevista a Passos Coelho
Passos chegou com ar descontraído, após um dia de pré-campanha autárquica pelo distrito de Castelo Branco
Passos chegou com ar descontraído, após um dia de pré-campanha autárquica pelo distrito de Castelo Branco
Passos defendeu André Ventura
O cenário escolhido para a entrevista foi a Casa de Artes e Cultura
O cenário escolhido para a entrevista foi a Casa de Artes e Cultura
O líder do PSD admite que é possível entender-se com o primeiro-ministro para o pós-2020, recusa dar gás às divergências com Marcelo Rebelo de Sousa e evita traçar cenários caso o PSD tenha um mau resultado nas autárquicas.

- O que é para si uma vitória nas autárquicas?
Passos Coelho – É ter o maior número de mandatos relativamente ao PS, que foi que teve esse resultado em 2013.

- Em 2013, o resultado do PSD foi baixíssimo e perdeu 33 municípios? É possível reverter isso e alcançar a liderança da Associação de Municípios?
- É o nosso objetivo e não podia ser outro.

- Se não o conseguir, considera-o como uma derrota sua?
- Não vou traçar cenários sobre o resultado das eleições. As autárquicas têm influência no resultado nacional mas, no essencial, são locais. E o PSD olhará para o resultado dessas eleições nesses termos.

-Nenhum resultado poderá pôr em causa a sua liderança?
- Não vou especular nem fazer cenários, fizemos um bom trabalho de casa. Fazemos um balanço positivo nos sítios em que éramos poder. E quando partimos a correr de fora fizemos as melhores escolhas que estiveram ao nosso alcance.

- Como explica que, com uma tragédia como a de Pedrógão Grande, com um verão repleto de incêndios (…), com um caso como o de Tancos, isso não se reflita na popularidade do Governo?
- Não sou comentador político. Para dar uma explicação política teria de fazer considerações sobre sondagens.

- Nem Pedrógão nem Tancos o levaram a pedir a demissão dos ministros. Porquê?
- Por questão de princípio não pedimos demissão de ministros, é uma matéria que cabe ao chefe do Governo e não faz sentido a oposição perder tempo com isso. Relevante é saber o tipo de responsabilidade que o Governo teve, saber como é que foi possível acontecer o que aconteceu em Tancos, em Pedrógão, e se podia ter sido evitado. Sobre Pedrógão, foi constituída uma comissão técnica independente, só depois saberemos... A dada altura, as explicações dadas mostraram-se risíveis. Chegou a haver um comentário da PJ a identificar a árvore onde tinha começado o incêndio.

- Como as declarações do Presidente da República, que disse que tinha sido feito tudo o que era possível?
- O Presidente não tem poder executivo e é a última pessoa a ter responsabilidades.

- Mas foi o alvo recente das críticas dele.
- Não faz sentido comentar o Presidente, ele não está no plano dos partidos.

- Para o cidadão médio, Passos Coelho é ‘o mau’...
- Isso é a sua opinião. Mas se essa fosse a opinião média dos eleitores não teria tido mais votos que António Costa nas legislativas. O ponto que se põe é se perdemos ou não tempo com esta solução de Governo e eu acho que perdemos. Está-se a vender uma ilusão. É uma política dissimulada.

- Centrando-nos no repto lançado por António Costa para um acordo para os investimentos pós-2020, é possível um entendimento?
- Eu não tenho dificuldades em escolher coisas que são importantes para o futuro do País. A política não é uma soma de casos pessoais. Podemos gostar mais ou menos das políticas ou dos políticos que as realizam, mas não usamos os portugueses como moeda de troca. Outra questão é querer reduzir isso a um entendimento com o PSD sobre grandes obras públicas. Isso é ridículo. Porque nós, sobre o programa de grandes investimentos em infraestruturas, tivemos um acordo com o PS que não saiu do papel. Dois anos depois, ficou onde estava. Recuperar um conselho superior de obras públicas? Para que é que vão desenterrar isso? O fundamental é saber o que é que o Governo se compromete a fazer do que estava acordado. Passaram dois anos e não aconteceu nada.

"Não podemos ter medo dos demagogos e populistas"  

- Ponderou bem a decisão de manter a confiança em André Ventura após as declarações polémicas sobre a comunidade cigana?
Passos Coelho – Sem dúvida.

- Acha que ele exagerou?
- Eu aguardei, na altura, e procurei que ele se clarificasse perante as pessoas. Não tinha dúvidas sobre isso porque já tinha falado com ele sobre o que se passa em Loures e noutros pontos do País. Existem respostas que são discriminações positivas mas as pessoas acabam por criar uma espécie de oferta garantida pública que não tem nenhuma contrapartida. Não podemos fechar os olhos, na política, a estas situações. Não podemos ter medo dos demagogos e dos populistas que permitem e, no fundo, com a sua atitude, permitem que situações que acabam por ser profundamente injustas perdurem. E isso, sim, cria uma reação muito negativa.

Perfil
Pedro Passos Coelho nasceu na Sé Nova, em Coimbra, a 24 de julho de 1964. Passou a infância em Angola, onde o pai foi médico, e regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974, tendo ido viver para Vila Real. É casado com Laura Ferreira e tem três filhas. Liderou a Juventude Social-Democrata. Chegou a ser vereador na Câmara da Amadora. Tornou-se líder do PSD em março de 2010, sendo eleito primeiro-ministro após as legislativas de 2011.

Medina é favorito mas eleição ainda não está ganha
Sobre a candidatura de Teresa Leal Coelho à Câmara de Lisboa, o líder do PSD entende que "o resultado está longe de estar feito", apesar de admitir que Fernando Medina "é favorito". Passos defende que a candidata foi escolhida em "tempo adequado" e que teve meio ano para preparar a campanha, reiterando a confiança: "É uma pessoa lutadora, cosmopolita e aberta."

Nada contra as cativações, só contra o método 
"Não somos contra a existência de cativações", garantiu Passos Coelho, adiantando que podem ser um bom instrumento de gestão, "dependendo de como são usadas". O líder social-democrata frisou que "é  importante que o País respeite as metas do défice", mas que o Governo deve ser transparente nos cortes que realiza.


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