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Correio da Manhã

Política
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Passos e Hollande com "boa base de trabalho"

O primeiro-ministro, Passos Coelho, afirmou neste domingo que do encontro com o Presidente francês, François Hollande, saiu uma "boa base de trabalho" para dar prioridade ao estímulo do financiamento à economia para aumentar o crescimento económico, sem aumentar despesa pública.
20 de Maio de 2012 às 18:59
Passos Coelho ao lado de Hollande
Passos Coelho ao lado de Hollande FOTO: Yoan Valat/Reuters

Após o primeiro encontro com Hollande, à margem da Cimeira da NATO, em Chicago, Estados Unidos, o primeiro-ministro afirmou que "há uma visão comum" entre Portugal e França "de ter as contas públicas em ordem, que o Presidente francês compreende também".

Hollande "subscreve a ideia de que é preciso levar a bom porto os esforços de consolidação orçamental", que hão-de permitir "ser mais competitivos e poder crescer no médio e longo prazo", disse Passos Coelho.

Outro ponto de "muita convergência" com Hollande, disse, foi que o crescimento económico não deve vir por via da despesa pública, mas por reformas e estímulo do financiamento à economia.

"Precisamos de ser mais competitivos e isso exige reformas estruturais em Portugal e na Europa e precisamos de ter dispositivos comuns (...) que nos permitam canalizar o financiamento necessário, não para os Estados, mas para a economia dos diversos países", disse.

Para o primeiro-ministro, esta "é uma boa base de trabalho".

Passos Coelho voltou a afirmar que o programa de ajustamento está a ser cumprido com sucesso, o que é reconhecido internacionalmente e a "disciplina e rigor orçamental" fazem parte da "estratégia de crescimento" do país.

"Portugal não precisa de mais tempo" para o programa de ajustamento, mas sim de melhores condições de financiamento à economia, algo que vem sendo analisado com a troika, disse.

Apesar do reforço do financiamento do Banco Central Europeu à banca de retalho, "a maior parte das empresas continua a ter uma extrema dificuldade em aceder ao crédito", disse.

"Não há esforços de contenção, disciplina orçamental, rigor e reformas estruturais bem-sucedidas se as empresas não acederem a financiamento. Esse é o aspeto que deve ser visto com mais cuidado, mesmo no contexto europeu", defendeu Passos Coelho.

 


Cabe ao Governo, afirmou, levantar esta questão ao nível europeu, até que se possa "encontrar um mecanismo que assegure que a liquidez que tem sido cedida aos bancos possa chegar à economia", algo que "até hoje ainda não aconteceu em Portugal, Espanha, Itália e vários outros países que têm vivido em stress financeiro do lado da economia real".

A continuação e até "recrudescimento" da pressão dos mercados sobre a zona euro é negativa para Portugal e François Hollande pode ser aqui um aliado importante, disse Passos Coelho.

"É um esforço muito grande do país inteiro, que estamos a fazer para cumprir o programa de ajustamento e estamos a conseguir fazê-lo de forma muito satisfatória, mas há aspectos que se relacionam com variáveis externas ao pais que não controlamos", afirmou.

"É sobre essas [variáveis] que devemos actuar em conjunto em termos europeus e o Presidente Hollande será uma das vozes importantes para ajudar a resolver o contexto de incerteza" na zona euro, adiantou.

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