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Correio da Manhã

Política
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Passos enfrenta Sócrates

O debate de ontem à noite entre José Sócrates e Pedro Passos Coelho acabou por ser um confronto sobre os temas que deveriam ser discutidos. O primeiro queria discutir o programa do PSD mas Passos Coelho insistiu em recordar os resultados dos últimos seis anos de governo que, como disse, quase conduziram o país "à bancarrota".

21 de Maio de 2011 às 00:30
Sócrates quis discutir o programa do PSD e Passos insistiu em recordar os  resultados dos últimos seis anos de governo
Sócrates quis discutir o programa do PSD e Passos insistiu em recordar os resultados dos últimos seis anos de governo FOTO: António Cotrim/Lusa

"O Serviço Nacional de Saúde é tendencialmente gratuito e o senhor quer acabar com isso", atacou Sócrates, a propósito do programa do PSD. "Porque é que não tem a coragem de discutir aquilo que fez como primeiro-ministro", respondia o líder social-democrata.

Ambos seguiram para a Taxa Social Única e para a proposta de Passos Coelho de a reduzir em 4% ao longo da legislatura. O líder do PSD confirmava: lembrou que a proposta faz parte do memorando da ‘troika' e acrescentou não se saber o que vai fazer José Sócrates, que continua a "estudar o assunto", apesar de ter assinado o acordo.

"O senhor vai a votos como primeiro-ministro. Eu vou como candidato", repetia Passos Coelho. "Não gosta de falar dos 700 mil desempregados", argumentou. "Não é um crime falar do programa do PSD", ironizava José Sócrates: "Não é crime nenhum".

"Eu conheço a sua técnica de fazer perguntas e discutir o que os outros pensam" - adiantava o presidente do PSD. "Não tem outro discurso que não seja culpar-me da crise", atirou o líder do PS, que chegou a ler um documento de uma empresa de que Passos Coelho foi administador onde se dizia que a crise portuguesa também tinha sido resultado da "crise internacional". "Escrevi aquilo que penso, ao contrário do senhor", respondeu o líder laranja, lembrando o "sinal mais evidente" da crise nacional e das responsabilidades nunca asssumidas por José Sócrates, os 700 mil desempregados, um número recorde.

O líder do PS dizia que Passos só tinha votado contra o PEC4 para provocar eleições e ir para o governo. Passos respondia "É o senhor que está agarrado ao poder, não sou eu que quero ir para lá."

QUEM GANHOU O DEBATE

Maioria dá vitória ao líder do PSD no derradeiro frente-a-frente

"Ganhou Passos Coelho. Foi mais sereno, transparente e pedagógico. José Sócrates apresentou-se no seu estilo habitual, extremamente demagógico." - Mira Amaral, presidente Banco BIC

"Passos Coelho surpreendeu pela positiva quem duvidava da sua capacidade. Vincou a responsabilidade do Governo. O debate pecou por ser demasiado técnico." - Marina Costa Lobo, investigadora ICS

"Como era expectável, o debate foi muito táctico. Sócrates afirmou-se hábil e traquejado, mas Passos teve postura de maior verdade e transparência. Ganhou." - Joaquim Cunha, Health Cluster Portugal

"Claramente ganha Sócrates, porque consegue dizer mais em menos tempo. Passos Coelho adoptou uma estratégia de ataque, mas não apresentou programa." - Inês Pedrosa, Directora da Casa Pessoa

"Sócrates preocupou-me por já não concordar com o memorado que assinou. Insistiu em frases propagandísticas. O debate foi vivo e Passos deu mais confiança." - Pinto Paixão, Direc. Fac. Ciências UL

"O debate foi morno e não surgiram novidades sobre o que será na prática o governo de um ou de outro. Só chavões. Sempre no sentido da não mudança. Empate." - Hélder Spínola, Univers. da Madeira

"Ambos os candidatos possuem projectos políticos praticamente iguais. Penso que poderei dizer que Passos Coelho acabou por vencer em termos de teatro político." - Marinho Pinto, Bast. Ord. Advogados

"Ganhou Passos Coelho por pequena margem. José Sócrates surgiu bastante cansado, muito repetitivo. E, ao contrário de anteriores debates, não conseguiu esmagar." - Manuel Carrageta, Cardiologista

"Num debate vivo e produtivo, ganhou a mudança e não a fantasia. Estou farto de mentiras. Como de costume, Sócrates falou muito e disse pouco." - Ruy de Carvalho, Actor

LÍDERES RECEBIDOS COM CLAQUES

À chegada aos estúdios da RTP, os líderes do PS e do PSD tinham à sua espera claques de apoio. Cerca de 100 jovens, metade do PSD e metade do PS, empunhando bandeiras do respectivos partidos e a gritar a cerca de 6 metros de distância uns dos outros, obrigaram por precaução, à presença da PSP.

No meio do grupo, uma comitiva despertava a curiosidade: alguns indivíduos aparentemente indianos, que já anteontem acompanharam José Sócrates no almoço de campanha eleitoral em Beja. Passos Coelho foi o primeiro a chegar aos estúdios com Miguel Relvas. Minutos depois, e com ar mais cansado do que o habitual, chegava José Sócrates, que não hesitou em fazer-se acompanhar dos dossiês e cábulas escritas à mão. No estúdio, Passos comentou o tamanho da mesa, estranhando a distância entre os dois. "Espero que não seja só para este debate", brincou.

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