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Correio da Manhã

Política
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Passos pede defesa da honra para responder a Seguro

O secretário-geral do PS acusou nesta terça-feira o primeiro-ministro de estar mudo nos conselhos europeus e de defender os interesses da chanceler germânica, Angela Merkel, motivando que Passos Coelho recorresse à figura regimental da defesa da honra.
30 de Outubro de 2012 às 16:54
Pedro Passos Coelho disse depois que este Governo "não representa nenhum chefe de Estado ou de Governo estrangeiro, mas sim os portugueses, porque foram os portugueses que votaram e escolheras este Governo"
Pedro Passos Coelho disse depois que este Governo 'não representa nenhum chefe de Estado ou de Governo estrangeiro, mas sim os portugueses, porque foram os portugueses que votaram e escolheras este Governo' FOTO: Tiago Petinga/Lusa

No seu discurso de fundo no debate da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2013, António José Seguro fez um discurso de 23 minutos, caracterizado por sistemáticas críticas ao Governo, o que gerou protestos veementes das bancadas da maioria PSD/CDS.

Mas o momento de maior confusão no hemiciclo aconteceu quando o líder socialista referiu qual é a sua perspectiva do comportamento de Pedro Passos Coelho quando se desloca a Bruxelas para participar nas cimeiras de chefes de Estado e de Governo da União Europeia.

"Para que Portugal possa ter mais tempo [no processo de consolidação orçamental] e menos juros precisa de ter um Governo e um primeiro-ministro que não vá aos conselhos europeus para entrar mudo e sair calado, mas que defenda os interesses de Portugal. Precisamos de ter um Governo e um primeiro-ministro com voz na Europa, que defenda os interesses de Portugal na Europa e não os interesses da senhora Merkel em Portugal", disse.

Segundos depois, Pedro Passos Coelho levantou-se do seu lugar na bancada do Governo e pediu a palavra, invocando a figura regimental da defesa da honra.

"Há limites para o debate público e para o debate político. O senhor deputado António José Seguro repetiu aqui uma coisa que já tinha dito em outro local: Que o primeiro-ministro entrava mudo e saia calado das reuniões do conselho europeu, mas isso é falso", começou por contrapor o líder do executivo, antes de aconselhar o secretário-geral a consultar as atas das cimeiras.

Pedro Passos Coelho disse depois que este Governo "não representa nenhum chefe de Estado ou de Governo estrangeiro, mas sim os portugueses, porque foram os portugueses que votaram e escolheras este Governo".

"Quero recordar ao senhor deputado António José Seguro que quem pediu a países da União Europeia apoio financeiro para salvar Portugal não fui eu, mas foi um primeiro-ministro do seu partido", disse, recebendo prolongadas palmas das bancadas do PSD e do CDS.


Seguro ripostou, reiterando que o Governo português se demite de ter posições próprias na União Europeia e dando como exemplo o facto de o executivo de Passos Coelho se ter manifestado contra uma maior intervenção do Banco Central Europeu (BCE) na resolução da crise financeira.

"Não lhe conhecemos uma única proposta em defesa dos interesses de Portugal", sustentou o líder socialista, antes de dizer que Pedro Passos Coelho deve explicações ao Parlamento depois "de o ministro das Finanças [Vítor Gaspar] ter dito publicamente que desde Junho Portugal estava a negociar mais tempo para o programa de ajustamento" - isto, numa altura em que o primeiro-ministro afirmava rejeitar mais um ano.

Pedro Passos Coelho voltou a pedir a palavra à presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, para fazer um comentário final: "Parece ser muito claro que o senhor deputado [António José Seguro] não consegue sustentar as falsas que produziu neste Parlamento".

"Podia ter utilizado o tempo de que dispunha para responder ao meu pedido de defesa da honra para repor a verdade", disse, numa alusão às críticas feitas por Seguro sobre a alegada colagem do Governo à Alemanha.

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