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Correio da Manhã

Política
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Passos: "Orçamento é presente envenenado"

Líder do PSD diz que o documento é mau e não tem hipóteses de emenda.
23 de Fevereiro de 2016 às 19:34
Pedro Passos Coelho, líder do PSD
Pedro Passos Coelho, líder do PSD FOTO: Manuel de Almeida/Lusa

"O orçamento é mau e é um presente envenenado para os portugueses. Deixa o País mais vulnerável às crises externas. Traz menos emprego e menos investimento do que alcançámos no ano passado. Não apresentaremos alterações porque não tem emenda possível". Foi assim que Pedro Passos Coelho justificou o voto contra do PSD ao primeiro Orçamento de Estado do Governo de António Costa.

 

O anterior primeiro-ministro denunciou aquilo que considerou uma farsa e criticou duramente o trajeto desde a apresentação do primeiro esboço orçamental ao resultado que vai ser esta terça-feira votado na A.R.. "O esboço deixava tanto a desejar que a Comissão quer o esboço de medidas para serem, o mais tardar, discutidas em abril com programa de estabilidade e crescimento. Este é o orçamento da austeridade melhor porque tem marca socialista, bloquista comunista e verde. É mais puro que os outros", ironizou o líder social-democrata. "Julgam que repetindo esta falsificação descansam os espíritos inquietos. Austeridade não é de esquerda ou de direita, é o que sobra quando falta o dinheiro", explicou Pedro Passos Coelho.

 

Passos apontou ainda as contradições entre os países que apoiam o Governo e sublinhou o seu próprio papel nessa coesão: "Sou fator de estabilidade do Governo. Estou a transformar-me no elemento de agregação e união da curiosa maioria que o sustenta".

 

Criticando a pressa com que o governo quer repor salários, Passos diz qual o caminho que seguiria: "O País sabe qual a estratégia que seguiríamos: uma mais gradual mas permanente redução da austeridade, para que os portugueses não tivessem de pagar com mais sacrifícios as imprudências do presente. Teria uma fiscalidade mais favorável para as empresas e para o investimento". Passos Coelho diz os caminhos diferentes que seguiria: "Trocaríamos bem uma parte do esforço fiscal por uma reforma da Segurança Social que trouxesse por via fiscal sustentabilidade às pensões. Estaríamos a preparar uma agenda de nova vaga de reformas estruturais para melhorar a produtividade dos serviços públicos e a competitividade externa das empresas".

 

O político do partido mais votado das últimas eleições, não perdeu a oportunidade de retomar a tese da ilegitimidade política do Governo de António Costa: "[Este Governo] Usurpa o que não conseguiu conquistar por direito próprio em eleições. Preocupa-se em destruir e aniquilar tudo o que foi feito para que a falsificação não seja notada".

 

Passos repetiu o aviso: "O orçamento penaliza a classe média, as empresas e as famílias numerosas. Tira com uma mão o que dá com a outra".
Pedro Passos Coelho Orçamento do Estado PSD
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