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Correio da Manhã

Política
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PAULO PORTAS RECEBIA DINHEIRO EM MÃO PRÓPRIA

José Braga Gonçalves, principal arguido no ‘caso’ Moderna, começou hoje a desfiar o novelo dos alegados “factos pouco conhecidos” que podem comprometer o ministro Paulo Portas. Em declarações no Tribunal de Monsanto, o arguido revelou que o antigo gerente da Amostra recebia ‘dinheiro vivo’ e explicou porque é que alguns pagamentos não surgem na contabilidade da empresa de sondagens.
10 de Abril de 2003 às 18:15
José Braga Gonçalves (na foto) já começou a disparar factos contra Portas
José Braga Gonçalves (na foto) já começou a disparar factos contra Portas FOTO: Arquivo CM
Ontem, o arguido emitiu uma carta aberta a Paulo Portas, na qual ameaçou revelar em tribunal factos comprometedores para o antigo gerente da Amostra, alegando falta de solidariedade do mesmo. Já ontem, José Braga Gonçalves havia revelado que a Amostra recebeu mais dinheiro da Dinensino que aquele que registou na sua contabilidade.
O financiamento da Dinensino (cooperativa gestora da Universidade Moderna) à empresa de sondagens Amostra, então gerida por Paulo Portas (agora presidente do CDS/PP e ministro de Estado e da Defesa), era feito ao abrigo de um protocolo assinado a 1 de Setembro de 1997, que garantia pagamentos, calculados em cinco a seis mil contos mensais, pelo prazo de um ano. De acordo com José Braga Gonçalves, a Amostra não passava facturas porque os pagamentos eram feitos ao abrigo do referido protocolo.
O arguido salientou que nada percebia de sondagens e que nunca viu um orçamento feito pela Amostra. “Se era preciso dinheiro para qualquer coisa, o dr. Paulo Portas dizia-me. E eu sabia que era preciso mais, começo a ver muita gente”, declarou José Braga Gonçalves em tribunal, explicando que esse dinheiro se destinava aos alunos envolvidos na elaboração dos estudos de opinião e afirmando estar convicto de que os alunos eram, de facto, pagos, uma vez que nunca se queixaram. De acordo com o arguido, muitas dessas verbas extra eram pagas pela Dinensino à Amostra em ‘dinheiro vivo’, com as notas a serem entregues ao próprio Paulo Portas.
O tribunal analisou esta manhã duas dezenas de cheques que aparecem na contabilidade da Dinensino como pagamentos feitos à Amostra, alguns dos quais não surgem no registo de entrada da contabilidade da empresa de sondagens. Os registos coincidem em transacções de valor aproximado aos seis mil contos mensais consagrados no já referido protocolo, mas cheques de valor inferior – mil ou dois mil contos – raramente dão entrada contabilística na Amostra. José Braga Gonçalves explicou que esses cheques eram por si descontados para fazer os também já referidos pagamentos extra em dinheiro vivo a Paulo Portas. O arguido admitiu que pelo menos dois desses cheques foram parar a contas bancárias de que era titular, mas sobre um cheque de dois mil contos com registo contabilístico incompleto insinuou que o dinheiro terá sido aplicado na compra de uma casa ou na realização de obras a mando de Paulo Portas. Esta insinuação foi feita em voz hesitante, o que levou mesmo a juíza a sublinhar que a mesma não era relevante.
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