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Paulo Raimundo considera que se o PS viabilizar orçamento dá espaço ao Governo para "elevar o ataque"

Este aviso aos socialistas foi feito por Paulo Raimundo durante o comício da Festa do Avante!.

06 de setembro de 2026 às 21:44

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou este domingo que se o PS viabilizar o próximo Orçamento do Estado estará a dar condições ao Governo para "elevar o ataque" e liberta o Chega de ter de o fazer.

Este aviso aos socialistas foi feito por Paulo Raimundo durante o comício da Festa do Avante!.

O líder comunista afirmou que, se o PS viabilizar o Orçamento do Estado para o próximo ano "confirma a sua cumplicidade com a política de direita e oferece ao Governo PSD/CDS, ao Chega e à IL, mais espaço para elevar o ataque".

"Se o PS o fizer terá ainda de assumir a responsabilidade pelo desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, o ataque à escola pública, a especulação imobiliária, o ataque aos salários, às reformas e à Segurança Social, pelas privatizações, pelo aumento dos preços", defendeu.

Raimundo considerou também que, ao fazê-lo, o PS "mais uma vez não só liberta um Chega, comprometido até ao espaço com a política em curso, de ter de o fazer, como lhe dá mais espaço para continua a enganar o povo".

Num discurso de mais de meia hora, o secretário-geral do PCP afirmou também que os problemas do país não são fruto "de incompetência, da chico-espertice ou de casos que envolvem ministros, cujas explicações deixam muto a desejar".

O secretário-geral do PCP salientou que o "problema é mesmo a política do Governo, uma política de desastre, que merece censura", e acrescentou que também "são censuráveis" aqueles que a apoiam, nomeadamente Chega, PS e IL.

A rentrée comunista, que este ano comemora 50 anos, arrancou na sexta-feira e termina este domingo, na Quinta da Atalaia, no Seixal (distrito de Setúbal).

De fora do discurso do secretário-geral comunista ficou a moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega, que será debatida e votada na terça-feira. No sábado, Paulo Raimundo recusou condicionar este momento do partido "à agenda de outros".

No ano em que passam 50 anos da aprovação da Constituição, o comunista acusou ainda a direita de querer, "a mando do capital, reconfigurar, rasgar mesmo" a Lei Fundamental.

Sobre a situação nacional, Raimundo considerou que o primeiro-ministro fala em aumento de rendimentos, mas "a sua propaganda esbarra na realidade do dia-a-dia, em que os salários e as reformas são comidos pelo brutal aumento do custo de vida".

"Lutemos pela regulação dos preços dos alimentos, da energia e dos combustíveis, pela fixação da botija de gás em 20 euros, pela descida do IVA para 6% na energia e telecomunicações. Que ninguém falte à exigência do aumento da oferta de transporte público no caminho da sua gratuitidade", apelou.

Sobre os 50 anos da Festa do Avante!, o secretário-geral do PCP destacou a festa como um momento "ímpar que ao longo de décadas marcou e marca o país e sucessivas gerações na cultura, nas artes, na afirmação dos valores de Abril e nas grandes causas da humanidade".

"Esta não é uma celebração virada para o passado, é sim, uma grande afirmação do futuro, do futuro que queremos e vamos construir. E ainda com mais força, e ainda com uma festa mais bonita, cá nos encontraremos a 03, 04 e 05 de setembro do próximo ano, aqui na Atalaia, Amora, Seixal", salientou.

Paulo Raimundo dedicou também parte do seu discurso à situação internacional, destacando o que está a acontecer em Cuba, na Venezuela ou na Palestina.

Antes do discurso de Raimundo, foi transmitida uma mensagem do Presidente cubano, que é também primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba.

Miguel Díaz-Canel agradeceu o apoio do PCP e disse que Cuba, que classificou como "um país de paz", "resiste heroicamente" a um "genocídio silencioso" dos Estados Unidos da América.

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