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Correio da Manhã

Política
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"Paz social tem de ser garantida”

Ascenso Simões diz que o Orçamento do Estado deve ser aprovado com os votos do PSD e do CDS. É preciso garantir a paz social
14 de Outubro de 2010 às 00:30
'Paz social tem de ser garantida”
'Paz social tem de ser garantida” FOTO: Pedro Catarino

Correio da Manhã – Se o Orçamento não for aprovado, o que devem fazer o Presidente da República e o primeiro-ministro?

Ascenso Simões – O primeiro-ministro, que tem um mandato que deve honrar, deve voltar a falar com os partidos, como fez no início da legislatura, procurando um acordo de governo ou de incidência parlamentar. O Presidente da República deve esgotar todas as hipóteses de solução no actual quadro político e parlamentar.

– O PSD devia viabilizar o Orçamento, ainda antes de o conhecer?

– Tendo em conta a situação dos mercados internacionais, fazia todo o sentido que houvesse um sinal prévio. Mas não haverá drama se a viabilização acontecer logo no momento da entrega no Parlamento. E a aprovação deve ser feita com os partidos do arco governativo, ou seja, com o PSD e o CDS

– O primeiro-ministro, José Sócrates, tem feito o suficiente para que o Orçamento seja aprovado?

– Os contactos têm sido muitos e nem sempre o que parece é. Em política, a gestão da comunicação é um elemento essencial para a obtenção de ganhos. Tanto o primeiro-ministro como o Presidente têm dado sinais no sentido de terem um Orçamento aprovado.

– Quais seriam as consequências da não aprovação do Orçamento?

– Portugal ficaria sem crédito e teríamos uma situação dramática nas empresas, principalmente as exportadoras, que são essenciais para alavancar a economia.

– O Governo não devia ter cortado mais na despesa?

– Foi tão longe quanto possível. Os sacrifícios são de monta e há que garantir a paz social.

– A execução orçamental em 2010 foi a desejável?

– No primeiro semestre não terá sido. As medidas tomadas permitirão regressar à redução significativa do défice no final do ano.

– Não seria melhor o primeiro-ministro demitir-se e dar lugar a outro dirigente socialista, tendo em conta o clima de crispação?

– As eleições deram um resultado claro. Só com novas eleições se deve substituir ou manter o primeiro-ministro. Seria importante para o País que não se juntasse à crise económica uma grave crise política.

PERFIL

Ascenso Simões foi membro do primeiro governo de José Sócrates e é hoje membro do conselho de administração da ERSE, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos. Para ocupar o cargo actual, saiu da direcção do Partido Socialista. Foi director de campanha nas últimas legislativas, em que o PS conseguiu resistir, ainda que sem a maioria absoluta.

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