Jerónimo de Sousa diz que é preciso esperar e "ver o resultado".
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, admitiu esta quinta-feira votar favoravelmente as propostas de alteração ao Orçamento do Estado relacionadas com a descida do IVA da eletricidade, mas ressalvou que os comunistas não pretendem "abrir crises" políticas.
"Não alinhamos o nosso posicionamento de voto em relação à sua origem, mas sim em relação ao seu conteúdo. Portanto, obviamente se existirem propostas justas por parte do PSD, designadamente, creio que compreenderão que nós acompanhamos", afirmou o secretário-geral do PCP.
Para Jerónimo de Sousa, "não há aqui linhas vermelhas no sentido de considerar que uma boa proposta deixa de ser boa só por causa da sua origem".
"Nós não acompanhamos esse raciocínio", salientou.
Jerónimo de Sousa falava aos jornalistas no final de uma reunião com o primeiro-ministro, António Costa, no âmbito da Cimeira dos Amigos da Coesão, marcada para sábado, em Beja.
Na ótica do comunista, "o problema não está na origem, está nos conteúdos concretos".
Lembrando que na legislatura passada, os comunistas já tinham apresentado "esta proposta em relação ao IVA", mas viram-na rejeitada pela Assembleia da República, o líder apontou que "se este ano, neste Orçamento, alguém mudou de posição não foi o PCP, foi o PSD".
"Embora eu não conheça a proposta do PSD, que pode permitir alguma confusão e votações cruzadas que podem levar a que não sobre nada", notou, quando questionado sobre o assunto.
Assinalando que o PCP vai continuar a bater-se pela proposta que apresentou, Jerónimo observou que é preciso esperar e "ver o resultado".
"Nós não estamos aqui para abrir crises, estamos aqui para construir uma proposta de Orçamento do Estado que sirva Portugal e os portugueses", vincou o líder comunista, observando que, "se Partido Socialista está tão preocupado, lembre-se do que fez, do que quer fazer em relação a esse entendimento das chamadas coligações".
Sobre este assunto, questionou, "o que é que foi a votação às alterações à legislação laboral? Foi uma coligação negativa ou foi uma coligação positiva PS, PSD e CDS?".
Também "em muitas matérias de direitos que foram usurpados nos tempos da 'troika' [...] quantas coligações? Agora chamem-lhe positivas do ponto de vista de uns e negativas do ponto de vista de outros, em que PS, PSD e CDS têm, ao longo de décadas, sistematicamente usado e abusado da tal coligação negativa, para o PS coligação positiva", insistiu.
"Se o PS não nos acompanhar em relação a algumas medidas, há uma responsabilidade do PS, mas não venham com esse papão porque o nosso posicionamento é claro e transparente nas 300 propostas que fizemos, é claro este grande objetivo de melhorar as condições de vida do povo português", avisou o secretário-geral do PCP.
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