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Correio da Manhã

Política
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PCP diz que "é um completo absurdo" que custo de 5 milhões para a Eurovisão venha de fundo turístico

Câmara de Lisboa vai pagar 2,8 milhões só à RTP.
15 de Março de 2018 às 20:23
RTP
Cláudia Pascoal vai representar Portugal na Eurovisão
Cláudia Pascoal vai representar Portugal na Eurovisão
As apresentadoras do Festival Eurovisão da Canção
Altice Arena
RTP
Cláudia Pascoal vai representar Portugal na Eurovisão
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Altice Arena
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Cláudia Pascoal vai representar Portugal na Eurovisão
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As apresentadoras do Festival Eurovisão da Canção
Altice Arena
O vereador do PCP na Câmara Municipal de Lisboa Carlos Moura defendeu hoje que é um "completo absurdo" que o investimento de cinco milhões de euros do município na Eurovisão provenha de um fundo municipal ligado ao turismo.

A Câmara de Lisboa apreciou hoje, em reunião privada, uma proposta que prevê um investimento de cinco milhões de euros para a organização da Eurovisão - "que representa cerca de 1/3 dos custos da organização" -, dos quais 2,8 milhões serão transferidos para a RTP, através de um protocolo a celebrar entre o município, a estação pública de televisão e a Associação de Turismo de Lisboa (ATL).

O financiamento para a Eurovisão será proveniente do Fundo de Desenvolvimento Turístico de Lisboa.

A proposta, assinada pelo vereador das Finanças, João Paulo Saraiva, foi aprovada com os votos favoráveis do PS, PSD e CDS-PP, e os votos contra dos eleitos do PCP e BE.

Ouvido pela agência Lusa no final da reunião, o vereador Carlos Moura afirmou ser "um completo absurdo que a Câmara Municipal de Lisboa esteja a recorrer a um fundo municipal de turismo, que devia ter sido criado precisamente para atalhar as questões de utilização dos turistas dos equipamentos da cidade e que afinal serve para pagar a Altice Arena".

O documento prevê a "contratação da cedência do espaço principal para realização do evento (Altice Arena), com um valor estimado de 2.042.000,00 euros (dois milhões e quarenta e dois mil euros), acrescidos de IVA".

Para o PCP, o preço para a utilização da Altice Arena "é completamente escandaloso", uma vez que "este é um equipamento construído com fundos públicos, que sempre foi muito rentável e que foi vendido a um privado".

"O festival pode ser importante, pode ter um aspeto de projeção da cidade e do país, que são importantes, não negamos isso, mas não pode ser a cidade de Lisboa a arcar com as consequências desta maneira e a arcar sozinha com os custos" do investimento, considerou o vereador comunista.

Ainda que admitindo um impacto positivo do ponto de vista turístico e económico, Carlos Moura falou na pressão que os 30 mil visitantes esperados terão no dia-a-dia da cidade, salientando que "não é líquido falar com a ligeireza com que tudo é tratado".

O comunista referiu também a abertura de vagas para voluntariado, argumentando que a "organização está a colocar pessoas com atividades específicas, como voluntários, através de trabalho gratuito".

"Não pode valer tudo", advogou.

A proposta que foi aprovada pelo executivo salienta que, "para a edição de 2018, são estimados perto de 30.000 visitantes, dos quais 27.000 provenientes do estrangeiro, e um impacto económico de cerca de 25,6 milhões de euros".

Questionada pela Lusa, a Câmara de Lisboa apontou que "a Eurovisão é um dos maiores eventos mundiais".

"Estamos muito empenhados em fazer da edição de Lisboa um êxito", acrescentou fonte municipal.

Também o PSD defendeu que a Eurovisão "tem custos, mas vai por Lisboa no mapa e vai dar momentos de protagonismo em todo o mundo".

Na reunião, os vereadores aprovaram também por unanimidade a atribuição de 120 mil euros até 2020 ao Teatro da Comuna.

O executivo aprovou ainda a atribuição do nome "Largo Fundação Champalimaud" ao arruamento onde se localização a fundação, à avenida Brasília, "até à data sem topónimo", proposta que contou com os votos favoráveis do PS, PSD e CDS-PP, e os votos contra de PCP e BE.
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