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Correio da Manhã

Política
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PCP diz que Orçamento é "antecâmara da falência do País"

O líder parlamentar do PCP classificou nesta terça-feira a proposta de lei do Orçamento do Estado (OE) para 2012 como a "antecâmara da falência económica do país", condenando a política de "carregar os trabalhadores" que está a ser seguida.
17 de Outubro de 2011 às 20:40
Bernardino Soares destacou ainda a introdução de um "agravamento da desigualdade social", com o corte nas prestações sociais a ser superior a dois mil milhões de euros
Bernardino Soares destacou ainda a introdução de um 'agravamento da desigualdade social', com o corte nas prestações sociais a ser superior a dois mil milhões de euros FOTO: Pedro Catarino

"Das impressões que pudemos já recolher de uma leitura muito rápida de alguns dados essenciais, configura uma proposta que não é, ao contrário do que o senhor ministro diz, uma antecâmara em 2012 da recuperação económica, mas uma antecâmara da falência económica do país, um país cada vez mais destruído por esta política económica", afirmou o líder da bancada do PCP, Bernardino Soares, em declarações aos jornalistas no Parlamento.  

Na primeira reacção dos comunistas ao documento esta tarde entregue na Assembleia da República pelo ministro das Finanças, Bernardino Soares apontou a existência de "um cenário macroeconómico demasiadamente optimista tendo em conta as medidas do Governo" e condenou a forma como as medidas constantes do OE para 2012 "carregam nos trabalhadores".   

"Não só com o que já estava anunciado, mas com um brutal aumento da carga fiscal no IRS, no IVA sobre os bens de consumo básicos, atacando também sectores essenciais do nosso país, como a indústria agro-alimentar, como a restauração e a hotelaria", sustentou.  

Bernardino Soares destacou ainda a introdução de um "agravamento da desigualdade social", com o corte nas prestações sociais a ser superior a dois mil milhões de euros, dez vezes mais do que os 200 milhões previstos para o programa de emergência social.  

Por outro lado, acrescentou o líder da bancada do PCP, ao mesmo tempo está inscrita uma despesa fiscal de cerca de mil e 200 milhões de euros com o 'off-shore' na Madeira.  

"Isto demonstra bem aquilo que é a política deste Governo: carregar sobre os trabalhadores, sobre a generalidade do povo português, sobre os reformados que vão ver as suas pensões congeladas na esmagadora maioria dos casos e os subsídios cortados em muitas situações. E, ao mesmo tempo, manter uma benesse importantíssima para o sector financeiro", insistiu.  

Ainda a propósito da proposta de OE para 2012, Bernardino Soares fez referência ao aumento do horário normal de trabalho diário do sector privado em meia hora, estimando que "isso pode significar durante um ano uma transferência de mais de sete mil milhões de euros para o capital que não serão pagos aos trabalhadores", ao mesmo tempo que são eliminados até 250 mil postos de trabalho.  

"É um Orçamento que não pode ser aceite pelos portugueses, porque é um orçamento que nem convém aos portugueses em geral, nem convém ao nosso país que precisa de ser retirado deste buraco e não posto cada vez mais fundo, como o ministro das Finanças e como o Governo quer fazer com esta  proposta que aqui apresenta", concluiu Bernardino Soares.  

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