Paula Santos, líder parlamentar do PCP, falava durante uma sessão pública, no âmbito das jornadas parlamentares do PCP, no Centro de Trabalho do partido da Marinha Grande.
A líder parlamentar do PCP afirmou esta segunda-feira que a "pressa do Governo" para agendar o debate parlamentar da revisão da lei laboral prova que a greve geral convocada pela CGTP "tinha toda a atualidade e razão de ser".
Paula Santos falava durante uma sessão pública, no âmbito das jornadas parlamentares do PCP, no Centro de Trabalho do partido da Marinha Grande, onde ouviu os relatos de vários trabalhadores a propósito das alterações à lei laboral propostas pelo Governo, discutidas na próxima quinta-feira no Parlamento.
Neste que foi o primeiro ponto das jornadas exclusivamente dedicado às mudanças da lei do trabalho, a deputada comunista frisou que a discussão foi marcada contra a vontade do PCP, uma vez que, alegou, o agendamento não cumpria o requisito de aguardar o fim do período de apreciação pública da iniciativa, que decorre até 02 de julho.
Para Paula Santos, a "pressa do Governo" para agendar o debate e a "disponibilidade para discutir" demonstrada pelo Chega demonstram que a greve geral do passado dia 03 de junho, convocada pela CGTP, "tinha toda a atualidade e toda a razão de ser".
"O Governo ter agendado esta proposta agora para o dia 18 de junho demonstra exatamente isso, que não era momento de ficar à espera para ver o que é que ia acontecer. Aliás, ficar à espera e isto corria-se o risco de ser confrontado com factos consumados. É agora este momento de travar e de lutar contra este pacote laboral", frisou.
A deputada comunista rejeitou ainda a ideia de que a proposta do executivo represente inovação ou modernidade, sustentando que "não há desenvolvimento com condições de trabalho do século XIX".
"Qual é que é a modernidade de se querer impor a mães e pais trabalhadores que tenham filhos com menos de 12 anos, trabalhar à noite, ou trabalhar aos fins de semana e feriados?", inquiriu.
No início dos trabalhos, também o deputado do PCP Alfredo Maia interveio para reiterar a ideia de que o pacote laboral "está claramente rejeitado" pelos trabalhadores, bem como por académicos e até "setores habitualmente mais conservadores, que consideram que o Governo da direita, a mando do patronato, estão a ir longe demais".
Alfredo Maia afirmou que a discussão parlamentar do pacote laboral é um "novo momento alto no plano institucional" para o qual está a ser preparada uma "clara aliança dos setores mais conservadores, reacionários do Parlamento" para "viabilizar uma grave ofensiva contra os trabalhadores".
O deputado alertou que estas alterações ao Código do Trabalho não mexem só nos assuntos que agitam mais a "sensibilidade social", como os direitos de parentalidade, mas também numa "panóplia enorme de direitos dos trabalhadores que quer o patronato, quer o Governo, pretendem enfraquecer ainda mais".
Entre as várias mudanças propostas pelo Governo, salientou o banco de horas individual, que classificou de um "verdadeiro assalto ao trabalho" que pode levar a poupanças de milhões de euros para as grandes empresas.
"Se a Jerónimo Martins colocar em banco de horas individual 30 mil trabalhadores obrigados a dar 150 horas de trabalho à borla por ano, significa que cada um deles deixa de receber mil euros. Ora, 30 mil multiplicado por mil significa que a Jerónimo Martins vai ganhar de lucro líquido, sem esforço nenhum, 30 milhões de euros", disse.
Alfredo Maia recusou ainda o argumento de que as empresas precisam de lucrar para aumentar salários, voltando a usar a Jerónimo Martins como exemplo: "A Jerónimo Martins tem 646 milhões de lucros, quanto é que aumentam os trabalhadores da linha de caixa? Ganham praticamente o salário mínimo nacional. Onde é que está a justiça?"
As jornadas parlamentares do PCP iniciaram-se no domingo e terminam esta terça-feira, entre Leiria e Coimbra, centradas na resposta às tempestades que atingiram o país no início do ano, bem como na resposta ao pacote laboral proposto pelo Governo.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.