Segundo o partido, o edifício foi comprado pelo Estado por 1,44 milhões de euros.
O PCP vai questionar o Governo sobre o paradeiro do espólio do Museu de Etnografia e História do Douro Litoral que estava no palácio de São João Novo, um solar do século XVIII do Estado localizado no Porto.
"Vamos questionar o Governo sobre o paradeiro do espólio [do Museu de Etnografia e História do Douro Litoral na Casa de São João Novo], a avaliação que existe sobre o estado do edifício e se o Governo tem, ou não tem, algum tipo de intervenção planeada para a sua recuperação", avançou esta terça-feira à agência Lusa a deputada do PCP à Assembleia da República (AR) Ana Mesquita.
Após uma visita ao exterior do palácio de São João Novo, um edifício comprado pelo Estado português em 2007, localizado no Largo São João Novo, na baixa do Porto, entre a Torre dos Clérigos e o Palácio da Bolsa e que está encerrado, a deputada do PCP defende a "recuperação do edifício" e a garantia de que o edifício tenha um "uso público adequado na área cultural".
"Teremos de ver qual a solução no concreto. Se será recuperar exatamente o Museu Etnográfico e de História do Douro Litoral ou se pode haver outro uso. Não fechamos ainda a porta, mas vamos tomar a iniciativa de recolher mais informações e promover a discussão sobre o assunto do futuro do espaço", declarou Ana Mesquita, considerando que tem de haver "rapidamente" um plano para recuperar o edifício e colocá-lo ao serviço da população", porque este tipo de equipamentos "ainda faz muita falta à cidade e ao Norte".
Segundo o PCP, o edifício foi comprado pelo Estado por 1,44 milhões de euros, segundo a escritura para compra datada de 27 de novembro de 2007.
O Museu de Etnografia e História do Douro Litoral foi criado a 15 de dezembro de 1945 no edifício do palácio de São João Novo, um solar da primeira metade do século XVIII com uma fachada de decoração barroca, mas que teve de ser encerrado em 1987 devido a um incêndio, que provocou a perda da biblioteca e do arquivo e obrigou a que parte da coleção fosse transferida para a Casa da Reclusão Militar, hoje conhecida como Quartel de S. Brás.
O secular palácio de São João Novo foi arrendado para albergar o Museu de Etnografia e História do Douro Litoral, fundado pela Comissão de Etnografia e História do Douro Litoral e pela Junta de Província do Douro Litoral, e, segundo dados históricos citados pelo PCP, o grande impulsionador para a criação do museu foi o arqueólogo e etnógrafo portuense Pedro Vitorino.
A coleção permanente do Museu de Etnografia e História do Douro Litoral centrava-se em objetos doados, comprados ou depositados que retratavam os modos de vida das comunidades rurais da região Norte durante a época pré-industrial, onde se podia encontrar, por exemplo, uma sala de teares e do engenho do linho, reconstituição de uma mina de carvão, sala de medicina popular e de farmácia, sala dos trajes regionais, sala dos brinquedos artesanais populares, sala das alfaias agrícolas, sala de cerâmica e faiança, entre muitas outras categorias.
O espólio do museu que se salvou do incêndio foi espalhado por diversos museus na região Norte, designadamente Museu Nacional Soares dos Reis, Museu dos Biscainhos, Museu da Olaria, Museu de Penafiel, entre outros.
Em 1998/1999, a Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais realizou uma obra de beneficiação e substituição das coberturas do palácio São João Novo, mas que não alterou o estado geral do museu.
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