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Correio da Manhã

Política
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PCP vinca oposição ao Governo e assume problemas internos

Jerónimo de Sousa justifica voto, lamenta perda de militantes e fala em dificuldades financeiras.
Andresa Pereira e José Castro Moura 28 de Novembro de 2020 às 09:32
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Jerónimo de Sousa justifica voto, lamenta perda de militantes e fala em dificuldades financeiras.
Um dia depois de viabilizar – pela via da abstenção – mais um Orçamento do Estado, Jerónimo de Sousa usou o discurso de abertura do XXI Congresso do PCP para se justificar, mas também para se distanciar do Governo e vincar a natureza de “oposição” do partido.

Perante os 600 delegados presentes em Loures, o secretário geral do PCP garantiu que o acordo com o PS serviu apenas para “suster, limitadamente” os problemas do País com a inscrição “de medidas que terão tradução concreta na vida dos trabalhadores e do povo”. O que não significa, sublinhou, que o PS e as suas “opções de classe” tenham mudado. “O PCP não é agora, nem foi na legislatura que findou, Governo ou parte de uma alegada maioria”, vincou o secretário-geral.

As questões internas não ficaram de fora, com Jerónimo a reconhecer “insuficiências, problemas e obstáculos” – como a perda de militantes e as dificuldades financeiras – certo de que o partido tem “força e determinação para os superar (...) Porque somos o que somos”. Entraram 1500 militantes, mas não compensaram as saídas.

Antes, Jerónimo justificou a realização do congresso em tempo de pandemia. “Privilégio e egoísmo” seria, disse, o PCP “resguardar-se”, e apontou o dedo ao ataque da direita que se “rearruma” para concretizar a “maior ofensiva reacionária desde o 25 de Abril”.

Delegados seguros aplaudem organização

À hora marcada (10h30), arrancou o XXI Congresso do PCP, em Loures, na presença de 600 delegados (metade do habitual), distribuídos pela área central e bancada. À entrada do Pavilhão Paz e Amizade, todos desinfetaram as mãos, mediram a temperatura e deslocaram-se por circuitos predefinidos. “É o PCP a mostrar que organiza de forma segura”, diz ao CM o delegado Marco Jóia. “O resultado é positivo”, atira Jorge Fernandes, outro delegado.

Saem Carvalhas e Arménio, mas Camarinha não entra
A lista ao comité central, que vai a votos este sábado no XXI congresso do PCP, prevê uma redução dos atuais 144 para os 130 membros, com 19 novos nomes. Segundo a lista divulgada pelo PCP, nas saídas destacam-se a de Carlos Carvalhas, antigo secretário-geral do partido, e de Arménio Carlos, antigo secretário-geral da CGTP, sendo que a sua sucessora no cargo, Isabel Camarinha, não entra no comité central. Quem também vai sair é o ex-deputado Agostinho Lopes, assim como o histórico e diretor das Edições ‘Avante’ Francisco Melo e os dirigentes Carlos Gonçalves e Luísa Araújo.
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