Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
2

Partidos reagem à venda do Banif

Bloco de Esquerda diz que se trata de um "ato criminoso".
21 de Dezembro de 2015 às 11:15
Banif foi vendido ao Santander por 150 milhões de euros
Banif foi vendido ao Santander por 150 milhões de euros FOTO: Rui Miguel Pedrosa

O PCP vai pedir na Assembleia da República uma comissão de inquérito sobre a resolução do Banif e venda do negócio ao Santander, acusando o anterior governo de ser diretamente responsável pela perda de milhões de euros.

Numa declaração aos jornalistas, Jorge Pires, da comissão política do PCP, avançou que o partido considera "inteiramente justificável que as responsabilidades políticas sobre a condução deste processo e o seu desfecho sejam cabalmente esclarecidas e apuradas" e, nesse sentido, o PCP avançará na Assembleia da República com a proposta de uma comissão de inquérito.

De acordo com o responsável, desde 2012 que o PCP alertava para a situação do Banif e para as posições do Estado no capital e no empréstimo em capital contingente.

Questionado sobre a ação do Banco de Portugal, Jorge Pires afirmou que "nestes problemas, o regulador esteve à margem de uma regulação efetiva", sublinhando que o governador "sabia da real situação que o Banif atravessava nos últimos três anos", à semelhança do que já aconteceu anteriormente com o BES.

Para o responsável, a solução dos problemas da banca "não passa somente pelo reforço da regulação", mas sim através de outras medidas que o partido tem vindo a defender há alguns anos como o "Estado assumir o controlo efetivo do sistema bancário em Portugal".

Bloco de Esquerda fala em "ato criminoso"

Bloco de Esquerda (BE) criticou o anterior executivo PSD/CDS-PP, que acusou de conduzir um "ato criminoso" no Banif, e reconheceu preocupação "com as consequências de decisão que o Governo do PS" apresentou, a resolução do banco.

"O BE está preocupado com as consequências da decisão que o Governo do PS ontem apresentou. Ela não só implica despedimentos, como um gigantesco prejuízo imposto aos contribuintes", vincou a deputada do Bloco Mariana Mortágua numa declaração na sede do partido, em Lisboa.

As palavras da parlamentar surgem depois de a Comissão Europeia ter aprovado o plano português de uma ajuda adicional de 2,25 mil milhões de euros para a cobrir o 'buraco' financeiro no Banif.

O primeiro-ministro, António Costa, admitiu no domingo que a venda do Banif ao Santander, por 150 milhões de euros, tem um "custo muito elevado", mas é a solução que "melhor defende o interesse nacional".

Na sua intervenção, Mariana Mortágua advogou que o executivo PSD/CDS-PP "ignorou sucessivos avisos da Comissão Europeia, que recusou nada menos que oito planos de reestruturação apresentados pela administração do Banif".

PSD disponível para inquérito

O PSD anunciou esta segunda-feira que está disponível para uma comissão parlamentar de inquérito ao Banif, que permita averiguar as razões que justificaram a capitalização do banco, em 2012, até à decisão anunciada no domingo pelo primeiro-ministro, António Costa.

"O PSD apoia e é favorável a um inquérito parlamentar, que permita averiguar desde as razões que justificaram a capitalização do Banif, em final de 2012, até à decisão ontem [domingo] tomada e conhecida, as alternativas existentes e as razoes que a justificaram, bem como a implementação dessa decisão", afirmou o deputado António Leitão Amaro, no parlamento.

António Leitão Amaro não quis comentar as eventuais responsabilidades do anterior governo PSD/CDS-PP num arrastar da situação que tivesse prejudicado a solução que foi concretizada pelo atual executivo, mas disse que "na anterior resolução", do BES, optou-se "por uma participação muito mais significativa das instituições financeiras, enquanto neste caso do Banif o Governo e Banco de Portugal optaram por chamar a uma participação direta e muito elevada os contribuintes".

O deputado social-democrata reiterou duas ideias: a de que não existe ainda informação suficiente e a de que o Estado e o banco tentaram vender o banco para evitar uma resolução.

Leitão Amaro repetiu também que "desde há muito que o Estado e o próprio banco procuravam concretizar a venda do banco evitando a resolução e perdas para os contribuintes".

CDS considera normal uma comissão de inquérito

O CDS-PP anunciou esta segunda-feira que é "natural e absolutamente a favor de uma comissão de inquérito sobre o processo do Banif", considerando que "quanto mais se souber e mais depressa se souber, melhor".

"O CDS é natural e absolutamente a favor de uma comissão de inquérito sobre o processo do Banif. Quanto mais se souber e mais depressa se souber, melhor", disse fonte da direção do grupo parlamentar centrista, sem acrescentar mais nenhum comentário ou esclarecimento quer sobre a decisão anunciada no domingo pelo primeiro-ministro, António Costa, quer sobre o âmbito da eventual comissão de inquérito.

O PSD, com quem o CDS-PP esteve no anterior governo, anunciou também hoje a disponibilidade para uma comissão parlamentar de inquérito, que permita averiguar as razões que justificaram a capitalização do banco, em 2012, até à decisão anunciada no domingo.

PS acredita que venda é a melhor solução

A secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, asseverou que a solução encontrada no domingo para o Banif é a que melhor salvaguarda o sistema financeiro e a alternativa seria a liquidação do banco.

"Esta solução é, pois, de entre todas, a que menos custos acarreta", vincou a socialista sobre a solução encontrada pelo Governo que "assume de forma cabal e definitiva os custos de intervenção realizada em 2013 pelo Estado e da gestão que as autoridades fizeram deste dossier durante os últimos três anos".

Ana Catarina Mendes assinala ainda que a solução encontrada para o Banif e apresentada pelo primeiro-ministro socialista António Costa "não agrava as contas do défice orçamental do Estado" no cumprimento das metas europeias, mantendo-se assim "intactos" os compromissos do PS "para iniciar uma trajetória de recuperação dos rendimentos dos portugueses".

PS/Madeira diz que solução salvaguarda região autónoma

O líder do PS/Madeira, Carlos Pereira, afirmou esta segunda-feira, no Funchal, que a solução encontrada para o caso do Banif garante a salvaguarda dos interesses da região autónoma e acusou o governo PSD/CDS-PP de ter ocultado a situação.

"O governo do PSD/CDS ocultou a situação do Banif e não encontrou nenhuma solução no seu devido tempo porque queria apresentar ao país, e em particular aos madeirenses, a ideia de que tinha feito uma saída limpa da 'troika' e que tudo tinha corrido bem", disse Carlos Pereira, em conferência de imprensa.

O líder socialista regional e deputado à Assembleia da República salientou que o Governo de António Costa fez "tudo o que estava ao seu alcance" para, num curto espaço de tempo, garantir "coisas que são muito importantes para a Madeira", como a totalidade dos depósitos, designadamente oriundos dos emigrantes.

"Também há uma garantia de manutenção dos empregos e isto é uma matéria muito relevante, pois estamos a falar de muitas pessoas que trabalham no Banif, instituição que tem sede na Região Autónoma da Madeira", sublinhou.

Carlos Pereira reconheceu, no entanto, que a solução encontrada "não é uma notícia totalmente boa", tendo em conta que haverá custos para os contribuintes.

Na conferência de imprensa, junto à estátua de João Gonçalves Zarco, no centro do Funchal, o dirigente socialista lembrou, por outro lado, que há três meses, em plena campanha eleitoral, o PS prometeu naquele mesmo local que, se formasse Governo, iria restituir os salários da administração pública e repor os cortes que foram aplicados desde 2011.

Governo dos Açores diz que venda é "a melhor solução"

O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, disse esta segunda-feira que a venda do Banif ao Santander "é a melhor solução possível" e considerou que se esteve "à beira do precipício" pelo estado a que chegou este processo.

O governante defendeu que a solução "protege as famílias e as empresas nos seus depósitos, protege a função que o banco tem no sistema bancário aqui nos Açores, nomeadamente no financiamento à economia", protegendo igualmente "os trabalhadores do banco".

"No contacto que hoje tive com o dr. António Vieira Monteiro [presidente da comissão executiva do banco Santander Totta] ele teve oportunidade de me transmitir que na abordagem que o banco Santander Totta faz em relação à situação dos Açores não estão previstas alterações do ponto de vista de trabalhadores", adiantou.

O governante socialista realçou o "empenho" e a "liderança política" que o primeiro-ministro, António Costa, teve neste processo, ao defender "a importância que uma entidade bancária como o Banif tem para uma economia" como a dos Açores, onde conta com 31 agências e 211 colaboradores.

Para o governante, esteve-se "à beira do precipício neste assunto, exatamente pelo estado a que se deixou chegar este processo", classificando como muita "oportuna e necessária" a iniciativa do grupo parlamentar do PS na Assembleia da República de proceder a um inquérito que "permita esclarecer como é que se deixou chegar este assunto ao ponto a que se deixou chegar".

Assembleia da República Assembleia da República Banif Santander BE banca
Ver comentários