Autarquia dá conta da intenção dessa reunião para poder "prestar todas as informações e, em consequência da mesma, equacionar a revogação das deliberações tomadas".
A maioria do executivo na Câmara do Porto, liderada por Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), quer reunir-se com a oposição (PS e Chega), ponderando rever as decisões de permitir a substituição de habitação acessível por compensações financeiras em sete projetos imobiliários.
Em comunicado esta segunda-feira enviado às redações, a autarquia dá conta da intenção dessa reunião para poder "prestar todas as informações e, em consequência da mesma, equacionar a revogação das deliberações tomadas".
Criticando a abordagem "alarmista" e a gravidade "das suspeições elencadas" pelos socialistas, a autarquia decidiu convidar os vereadores da oposição, que inclui Miguel Corte-Real (Chega), para uma reunião com os serviços municipais, aberta à comunicação social.
"Caso, no final dessa reunião, o PS continue a insistir que essa alternativa é viável, o presidente da Câmara compromete-se a apresentar uma proposta de revogação da deliberação assumida na última reunião de câmara. O contexto de dificuldade de acesso à habitação que se vive no país não é compatível com a dúvida sobre o claro propósito dos órgãos municipais do Porto de apostarem em habitação, designadamente no centro da cidade", conclui.
Num longo comunicado com vários pontos apresentados, a maioria do executivo anunciou ainda "que está a promover a revisão do regulamento municipal que define os termos do Zonamento Inclusivo, passando a obrigar hotéis e alojamento local a contribuir para a disponibilização de habitação acessível na área correspondente.
Com este comunicado, a maioria responde à denúncia dos vereadores do PS, esta manhã, que consideraram "manifestamente ilegal" a decisão do município.
O vereador socialista Manuel Pizarro considerou "manifestamente ilegal" a decisão da Câmara do Porto de permitir a substituição de habitação acessível por compensações financeiras em sete projetos imobiliários, anunciando uma Assembleia Municipal extraordinária (09 novembro) para debater o processo.
Em conferência de imprensa, Pizarro classificou a deliberação, aprovada em 20 de outubro, por sete votos contra seis, como "politicamente errada, incoerente, moralmente condenável" e com "enormes fragilidades" do ponto de vista legal.
O vereador contestou a opção da maioria municipal de aceitar compensações financeiras em vez da disponibilização de habitação a preços acessíveis, considerando que a medida contraria os objetivos do Plano Diretor Municipal (PDM) e representa um sinal negativo num contexto de dificuldades no acesso à habitação.
Na resposta, o executivo "rejeita as acusações formuladas pelo PS quanto a qualquer ilegalidade relativa à decisão tomada na última reunião de câmara, relativa a sete processos em concreto".
Na nota, o executivo liderado por Pedro Duarte defende "a inversão da tendência de gentrificação da cidade" como "um dos seus objetivos estratégicos" e aponta ao Zonamento Inclusivo como instrumento que visava estimular habitação em arrendamento acessível no centro histórico.
"Contudo, a sua aplicação prática tem revelado que as suas boas intenções não se traduzem num benefício tangível para a cidade. Desde a entrada em vigor do Regulamento Perequativo de Edificabilidade de Encargos Urbanísticos, em 2021, nenhuma casa foi construída ou alocada a arrendamento acessível por força deste regime", criticam.
Na próxima reunião de executivo, a maioria vai propor "uma proposta de alteração" a esse regulamento, submetida a discussão pública, na qual pretendem terminar com o regime de compensação financeira em substituição de mais habitação, bem como a dispensa do regime de operações para habitação, para incentivar "o reforço da oferta habitacional nesta área da cidade".
Esta medida visa dar "prioridade a mais habitação no centro da cidade", um desígnio de que o atual regime "é um dissuasor que incrementa custos de investimento e construção que, previsivelmente, se repercutem no aumento do preço final".
O atual regime mantém-se para comércio e serviços, e é ainda proposto o "alargamento da área de concretização da habitação acessível até toda a área de pressão urbanística identificada na Carta Municipal de Habitação do Porto".
Pizarro criticou a possibilidade de trocar cerca de 40 fogos de habitação acessível no centro da cidade por uma compensação financeira que, segundo as suas contas, permitiria à autarquia disponibilizar apenas quatro ou cinco habitações na mesma zona, e criticou o valor da compensação, situado em cerca de 420 euros por metro quadrado.
O Público revelou que dos 1,39 milhões que o município vai receber, a grande maioria (88%) vem de três empresas: a PM29 Real e a Ateneu 33 Real, sociedades imobiliárias com sede em Lisboa, detidas a 100% pela Crystal Holding, com sede no Luxemburgo; e a Historical Porto Offices, do empresário Mário Ferreira.
Juntas, as três empresas deveriam entregar 2.937 metros quadrados para habitação acessível. Em vez disso, vão pagar 1,23 milhões, o que representa uma média de 418 euros por metro quadrado, um valor muito abaixo do mercado.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.