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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Pedro Nuno Santos acusa Montenegro de falta de vergonha na associação do PS ao Chega

Líder do PS considerou que primeiro-ministro tem "uma relação distante com o parlamento" e com o Presidente da República.

18 de dezembro de 2024 às 22:34

O líder socialista acusou esta quarta-feira o primeiro-ministro de falta de "vergonha e descaramento" ao associar o PS ao Chega, lembrando que o Governo da Madeira resultou de um acordo do PSD com o partido de André Ventura.

No jantar de Natal do Grupo Parlamentar do PS, Pedro Nuno Santos aproveitou para fazer duras críticas ao líder do PSD e chefe do executivo, Luís Montenegro, que na véspera, precisamente na mesma sala do parlamento, acusara PS e Chega de desrespeitarem a vontade popular na Madeira e no continente.

"O senhor primeiro-ministro tem uma relação distante com o parlamento e pelos vistos não é só com o parlamento, tem também uma relação distante com o senhor Presidente da República. Um primeiro-ministro tem a obrigação de respeitar essa democracia parlamentar", defendeu o líder do PS.

Pedro Nuno Santos, que disse estar a pesar as palavras, "onde faltou verdadeiramente vergonha e descaramento foi na associação do PS com o Chega". "Não há partido político em Portugal mais distante do Chega do que o PS. Não existe nenhum partido político em Portugal que combata mais o Chega do que nós", contrapôs.

Para o secretário-geral do PS, "onde o ridículo atinge proporções do absurdo" foi quando Luís Montenegro falou da Madeira, defendendo que os socialistas na região autónoma foram coerentes uma vez que sempre foram contra a constituição deste Governo de Miguel Albuquerque.

"É extraordinário como é que o líder do PSD e primeiro-ministro fala no tema muito preocupado com uma suposta associação entre o PS e o Chega e esqueceu-se de dizer que Miguel Albuquerque lidera o governo regional porque fez um acordo com quem? Com o Chega", acusou, referindo que ninguém no PS faz acordos com o partido de André Ventura.

Na opinião de Pedro Nuno Santos, seria um absurdo que, agora que o parceiro parlamentar "abandonou" o PSD, fosse "o PS que iria suportar um Governo que combate desde o primeiro dia".

O primeiro-ministro acusou na terça-feira PS e Chega de desrespeitarem a vontade popular expressa em eleições na Madeira, mas também na Assembleia da República, considerando que a sua "aliança estratégica" tem colocado em causa o equilíbrio de poderes.   

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