Projecto vendido devido aos custos de produção. Inspector da PJ que treinou protótipo criado pela INDEP diz que Lusa A2 era competitiva.
A Lusa A2, pistola-metralhadora criada pela INDEP – Indústrias Nacionais de Defesa a partir de 1983, reunia condições para ser competitiva quando foi alienada pelo Ministério da Defesa, então liderado por Paulo Portas, em 2004. Ontem, Fernando Almeida, inspector da Polícia Judiciária (PJ) aposentado e ex-instrutor de tiro da PJ que fez vários treinos com a Lusa A2, foi categórico ao CM: 'Quando a arma foi vendida, estava impecável e era competitiva, quer em termos técnicos quer em custos [de produção]'.
A metralhadora concebida pela INDEP, que foi vendida por 50 mil dólares (40 mil euros) após um investimento de quase 15 milhões de euros, foi apresentada em 17 de Setembro de 1987 no Campo de Tiro de Alcochete, no âmbito da Feira Internacional de Defesa – I Exposição Internacional de Defesa.
Fernando Almeida, especialista em balística forense e armamento ligeiro, foi o inspector da PJ, então liderada por Marques Vidal, com a responsabilidade de experimentar a Lusa A2 diante de especialistas mundiais em armamento. E o resultado dessa apresentação foi considerado positivo.
A própria INDEP, então presidida pelo general da Força Aérea Casimiro Proença, manifestou, no ofício enviado a Marques Vidal onde agradecia a colaboração de Fernando Almeida, a sua satisfação pelo comportamento da Lusa A2 na sua primeira apresentação pública. O ofício, datado de 29 de Setembro de 1987, deixava claro que a demonstração da Lusa A2 'evidenciou as potencialidades da arma' e 'indicou também as correcções a introduzir nela'.
O mesmo documento indicava que a INDEP estava empenhada em concluir com êxito este projecto: 'Certos de que as correcções consideradas necessárias fácil e rapidamente poderão ser introduzidas, brevemente contamos poder apresentar a mesma arma devidamente melhorada, para avaliação da PJ'. Seis anos após a venda da Lusa A2, Fernando Almeida, que esteve 23 anos no Laboratório da Polícia Científica da PJ, é peremptório: 'A Lusa A2 é uma arma excelente e barata.'
TEMA ABORDADO NA INTERNET
A informação sobre o projecto da Lusa A2 não abunda, mas o assunto é abordado em meios restritos e na internet. No final de Julho, a ‘TDSnews’, uma revista de inteligência económica das tecnologias de defesa e segurança, revelou a operação da venda a três empresários norte-americanos.
A história da Lusa A2 é também abordada em alguns blogues e consta mesmo na Wikipedia.
POLÍCIA JUDICIÁRIA TEM OS DOIS ÚNICOS EXEMPLARES DA LUSA
Os únicos exemplares da Lusa existentes em Portugal estão no Laboratório da Polícia Científica da Polícia Judiciária (PJ). Carlos Farinha, director daquele departamento da PJ, confirmou ontem ao Correio da Manhã que 'existem, efectivamente, dois exemplares na colecção de espécimes'.
As duas armas terão sido enviadas pela INDEP ao Laboratório da Polícia Científica, após um pedido da PJ, no início da década de 2000. E existem dois modelos: uma Lusa A2 e uma Lusa A1.
Segundo Carlos Farinha, o objectivo da colecção, que inclui inúmeros modelos de armas, é produzir amostras de referência para comparação com outras armas. Daí a importância da arma Lusa, até porque 'não sabemos se daqui a um tempo nos vão pedir uma comparação com outras armas', diz.
FORNECER FORÇAS DE SEGURANÇA
O folheto de apresentação da Lusa A2, distribuído em 1987 na Feira Internacional de Defesa, deixava claro que a pistola-metralhadora da INDEP destinava-se, 'fundamentalmente, a forças especiais e tropas especiais'.
A arma estava vocacionada, segundo o mesmo documento, 'para serviços de protecção e escolta, mesmo para pessoal não uniformizado'. A PSP era uma das forças de segurança que poderiam utilizar a arma desenvolvida pela INDEP.
MARQUES JÚNIOR CRITICA GOVERNOS POR FALTA DE ESTRATÉGIA
Marques Júnior, deputado do PS e membro da comissão parlamentar de Defesa Nacional, diz que a venda da Lusa A2 é um exemplo da falta de estratégia dos governos para a indústria da Defesa. 'O problema não é vender ou não [a Lusa A2], é a falta de estratégia dos governos para a indústria de Defesa, disse ontem o deputado ao CM. Marques Júnior recorda-se de ter assistido, nos anos 90, a uma apresentação desta arma ainda como protótipo e admite que 'não teve apoios para ser desenvolvida'.
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