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Correio da Manhã

Política

Petróleo fora da agenda

O gabinete do primeiro-ministro são-tomense, Damião Vaz de Almeida, não recebeu nenhuma mensagem escrita confidencial do primeiro-ministro português, Santana Lopes, através do ministro do Estado e da Presidência, Morais Sarmento, sobre o interesse da Galp em explorar as reservas petrolíferas do país.
13 de Janeiro de 2005 às 00:00
Fonte do gabinete do chefe do Governo são-tomense adiantou ontem ao CM que, na audiência, que decorreu na tarde de segunda-feira, “o ministro Morais Sarmento manifestou verbalmente ao primeiro-ministro são-tomense a intenção da Galp em cooperar no domínio da exploração petrolífera, apenas isto. Não se aprofundou a conversa nem tão-pouco houve a entrega de algum documento sobre esta matéria porque não estava na agenda”, esclareceu a fonte. Segundo a edição de ontem do ‘Diário Económico’, “Santana Lopes teria encarregado Morais Sarmento de levar uma mensagem confidencial ao Governo são-tomense sobre o interesse da Galp em explorar as reservas petrolíferas do país”.
Morais Sarmento desvalorizou a questão do contacto com o primeiro-ministro são-tomense sobre a Galp, dizendo que se tratou apenas, à semelhança do que fez noutras visitas, de transmitir “o posicionamento das nossas empresas”. “O que fiz foi afirmar a disponibilidade da Galp para participar no negócio”, recusando-se a revelar o conteúdo concreto da conversa com o primeiro-ministro.
Este esclarecimento de Morais Sarmento foi feito durante um almoço em Lisboa com os responsáveis da Unidade de Missão para a Sociedade de Informação e Jornalistas. O ministro da Presidência justificou demoradamente a sua visita a S. Tomé e Príncipe e comparou-a a outras visitas institucionais, nomeadamente aos PALOP.
O ministro das Actividades Económicas afirmou desconhecer qualquer ligação entre a viagem de Sarmento a S. Tomé e Príncipe e um possível interesse da Galp em operar naquele país. Álvaro Barreto, que está a acompanhar o Presidente da República na visita oficial à China (ver pág. 22), disse ser para ele “completamente novo” o interesse da Galp na exploração petrolífera em são Tomé.
Ontem, a Galp Energia afirmou estar atenta a todas as oportunidades de exploração de petróleo, especialmente nos países de língua oficial portuguesa. Curiosamente, o administrador da companhia, Guido Albuquerque, é primo direito do ministro Morais Sarmento e tem os pelouros da Galp Internacional, unidade dedicada a todos os negócios fora da Península Ibérica e que estuda oportunidades de exploração em Timor e em S. Tomé e ainda da Galp Empresas que concentra os negócios com os grandes clientes.
Guido Albuquerque entrou para a Galp em 2002 com a administração de António Mexia e sempre liderou aqueles dois pelouros.
CHEFE DE ESTADO NÃO RECEBEU
O presidente são-tomense, Fradique de Menezes, não recebeu na segunda-feira o ministro da Presidência, Morais Sarmento, porque “a agenda do chefe de Estado na tarde desse dia estava ocupada”, esclareceu ontem fonte da Presidência são-tomense. Fradique de Menezes estava na segunda-feira à tarde a participar na festa religiosa de Santo Isidoro, padroeiro da Vila da Ribeira Afonso.
O encontro entre Fradique e Sarmento estava, de acordo com o programa da visita, agendado para a manhã dessa segunda-feira, mas a audiência não se realizou porque Sarmento foi obrigado a deslocar-se nesse dia da ilha do Príncipe para a de S. Tomé por via marítima porque as condições climatéricas impediram a ligação aérea, chegando assim à capital do país só no início da tarde.
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