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Correio da Manhã

Política
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PGR investiga currículo de secretário-geral do PSD

Feliciano Barreiras Duarte garante que nada fez "de errado" e aguarda investigação da PGR.
13 de Março de 2018 às 17:21
Feliciano Barreiras Duarte
Feliciano Barreiras Duarte
Rui Rio com Feliciano Barreiras Duarte
Rui Rio com Feliciano Barreiras Duarte no congresso do PSD
Feliciano Barreiras Duarte
Feliciano Barreiras Duarte
Rui Rio com Feliciano Barreiras Duarte
Rui Rio com Feliciano Barreiras Duarte no congresso do PSD
Feliciano Barreiras Duarte
Feliciano Barreiras Duarte
Rui Rio com Feliciano Barreiras Duarte
Rui Rio com Feliciano Barreiras Duarte no congresso do PSD

A Procuradoria-Geral da República remeteu para inquérito no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa os elementos que recolheu sobre o caso do currículo do secretário-geral do PSD, Feliciano Barreiras Duarte.

"Na sequência de notícias vindas a público, a Procuradoria-Geral da República procedeu à recolha de elementos. Esses elementos foram encaminhados para o DIAP de Lisboa com vista a inquérito", revelou a PGR, em resposta à agência Lusa, sem adiantar mais pormenores.

Sobre a polémica que envolve um certificado que atesta que Barreiras Duarte tem o estatuto de professor convidado (visiting scholar) da Universidade de Berkeley, o presidente do PSD, Rui Rio, afirmou no domingo que o secretário-geral lhe comunicou que havia um aspeto do seu currículo "que estava a mais, não era preciso, e corrigiu".

"É inequívoco que ele fez referência a um aspeto do seu currículo que não era preciso e corrigiu, é esta informação que eu tenho e ele deu essa informação à comunicação social", afirmou Rui Rio, questionado no final do Congresso do CDS-PP, realizado em Lamego (Viseu).

À pergunta se, tal como fez com a vice-presidente do PSD Elina Fraga, vai pedir a Feliciano Barreiras Duarte que dê mais explicações, Rui Rio considerou que o secretário-geral do PSD "já se explicou".

"Há um aspeto do seu currículo que estava a mais, não estava preciso, e ele corrigiu", reiterou.

O semanário Sol noticiou que Feliciano Barreiras Duarte teve de retificar o seu currículo académico para retirar o item que o indicava como professor convidado (visiting scholar) na Universidade de Berkeley, na Califórnia, Estados Unidos, o novo secretário-geral do PSD veio justificar-se em declarações posteriores a outro jornal.

Sem nunca assumir que corrigiu o currículo, Feliciano Barreiras Duarte rejeitou as acusações e passou ao contra-ataque, afirmando que tudo não passou de uma estratégia "para incomodar a direção do PSD em funções".

"Eu rejeito veementemente qualquer tipo de acusação ou insinuação sobre o meu percurso académico", disse ao jornal, que escreve, embora sem citar, que o novo secretário-geral social-democrata teve de "retificar a nota biográfica".

O ex-secretário de Estado do executivo de Pedro Passos Coelho sublinhou nunca ter precisado da universidade de Berkeley para o seu percurso académico, insistindo que a notícia visa prejudicar a direção de Rui Rio.

"Esta semana realizaram-se almoços entre algumas pessoas que não gostam da atual liderança. Criaram-se factos. E o corolário foi aquilo que o jornal (Sol) publicou", acusou.

Em entrevista, Feliciano não comenta a informação sobre a existência de um documento, alegadamente falso, sobre o seu estatuto em Berkeley, aparentemente negado pela professora (Deolinda Adão) cuja assinatura aparece no documento. Sem ser citado, é dito que Feliciano "tem provas de todo o processo, desde o convite por parte da professora Deolinda Adão" ao primeiro convite feito por Manuel Pinto de Abreu.

Além de secretário de Estado, Feliciano Barreiras Duarte foi várias vezes deputado eleito por Leiria, chefe de gabinete de Passos Coelho, presidente da Assembleia Municipal do Bombarral e de Óbidos e continua a ser vice-presidente da concelhia do Bombarral.

Feliciano Barreiras Duarte reitera que "nada fez de errado" e aguarda investigação da PGR
O secretário-geral do PSD, Feliciano Barreiras Duarte, reiterou hoje que "nada fez de errado" e que irá "esperar serenamente" e "em silêncio absoluto" os resultados do inquérito aberto pela Procuradoria-Geral da República ao caso do seu currículo que, no entanto, o deixam "magoado". 

"Sofri muito nos últimos dias", confessa, agradecendo o apoio que tem recebido e "a confiança" do PSD, que tem sido "reforçada neste dias". 

"Nada fiz de errado no chamado processo de Berkeley; todos os movimentos e ações relacionados com esse caso estão devidamente documentados e são inequívocos quanto à minha inocência; fui convidado para 'visiting scholar' (estatuto que não confere qualquer grau académico) e não me fiz convidado; não tirei qualquer proveito da Universidade de Berkely -- nem financeiro, nem académico, nem profissional, nem político", lê-se num comunicado hoje divulgado por uma agência de comunicação em nome de Feliciano Barreiras Duarte.

No referido comunicado, Feliciano Barreiras Duarte garante que a decisão da PGR "vai ao encontro" dos seus "mais profundos desejos" de ver "esta situação cabal e completamente esclarecida". 

O secretário-geral do PSD acredita que está a ser "alvo de uma campanha ignominiosa", que o afeta a si e à família "de forma tão grave quanto só as pessoas de bem podem avaliar". No entanto, assegura que o "objetivo principal" de tal campanha será o de "atacar a direção do PSD e em particular o seu líder, Rui Rio". 

"Depois de tudo esclarecido, o que inevitavelmente vai suceder, reservo-me o direito de usar todos os meios legais ao meu alcance para recuperar a minha reputação e ser ressarcido das perdas e danos morais que me causaram e à minha família", remata.

Procuradoria-Geral da República secretário-geral do PSD Feliciano Barreiras Duarte
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