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Correio da Manhã

Política
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Pharol pretende constituir-se assistente na Operação Marquês por causa da Rioforte

Em causa está o investimento de 900 milhões de euros da PT na Rioforte.
13 de Setembro de 2017 às 20:00
Portugal Telecom
Fachada do edifício sede da Portugal Telecom, nas Picoas (Lisboa)
Portugal Telecom
Fachada do edifício sede da Portugal Telecom, nas Picoas (Lisboa)
Portugal Telecom
Fachada do edifício sede da Portugal Telecom, nas Picoas (Lisboa)
A Pharol (ex-PT) pediu para se tornar assistente na Operação Marquês, inquérito que passou a englobar a investigação relativa ao investimento ruinoso da PT na Rioforte, empresa do universo BES/GES entretanto falida.

Fonte ligada ao processo adiantou à agência Lusa que o pedido da Pharol para se tornar assistente na Operação Marquês já deu entrada, desconhecendo-se ainda se foi aceite.

A fonte indicou que o pedido da Pharol para se tornar assistente na Operação Marquês visa colaborar com o Ministério Público no apuramento das responsabilidades dos responsáveis de topo da PT que investiram dinheiro da empresa na Rioforte, designadamente o antigo 'chairman' e CEO Henrique Granadeiro.

Na terça-feira a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou que "por despacho proferido no âmbito do inquérito da Operação Marquês, foi determinada a apensação do inquérito no qual se investigavam factos relativos à Portugal Telecom".

De acordo com a edição 'online' da revista Sábado, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) decidiu, a 01 de setembro passado, juntar à Operação Marquês um dos processos-crime que visa a Portugal Telecom (PT) e o Banco Espírito Santo (BES).

Em causa está o investimento de 900 milhões de euros da PT na Rioforte, uma empresa do universo BES/GES que faliu.

Segundo o Ministério Público, citado pela Sábado, verifica-se uma "conexão de processos", ou seja, há factos e/ou indícios de crimes semelhantes imputados a vários arguidos comuns aos dois inquéritos, nomeadamente aos antigos administradores da PT, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro.

O despacho judicial citado pela Sábado esclarece que, como na Operação Marquês já foram imputados a Zeinal Bava e Henrique Granadeiro o "recebimento de quantias pagas pelo Grupo BES" entre novembro de 2010 e o mesmo mês de 2012, e caso não se fizesse a junção de inquéritos prevista no Código do Processo Penal, corria-se o risco de "não se alcançar a compreensão global dos factos" sob suspeita e a eventual "repetição de julgados".

A conexão e respetiva apensação dos dois processos foi comunicada ao diretor do DCIAP, Amadeu Guerra, refere a revista.

Entretanto, na passada segunda-feira o ex-administrador do Grupo Lena Joaquim Barroca foi interrogado, pela terceira vez, no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), tendo sido confrontado com elementos de prova ligados ao negócio do TGV, do qual o grupo Lena fazia parte, embora com uma quota reduzida.

Os procuradores do DCIAP entendem que o ex-primeiro-ministro José Sócrates, arguido na Operação Marquês, terá recebido "luvas" neste e noutros negócios que estão a ser investigados.

A decisão do Ministério Público sobre o inquérito 'Operação Marquês', cujo principal arguido é José Sócrates, deverá ser conhecida até 20 de novembro, depois de os procuradores terem recebido a última carta rogatória no dia 22 de agosto.

O antigo primeiro-ministro José Sócrates está indiciado por fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais.
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