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Correio da Manhã

Política
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Pinho tenta envolver Costa na ligação ao BES

Ex-ministro insistiu que foi o atual primeiro-ministro quem lhe apresentou Sócrates num jogo, para negar influência de Salgado.
Diana Ramos 21 de Dezembro de 2018 às 01:30
Manuel Pinho
Manuel Pinho
Manuel Pinho
Manuel Pinho
Manuel Pinho
Manuel Pinho
Manuel Pinho
Manuel Pinho
Manuel Pinho

O ex-ministro da Economia Manuel Pinho rejeitou esta quinta-feira responder a questões diretas sobre os rendimentos declarados e as offshores de que foi titular, invocando o facto de ser suspeito no chamado caso EDP. E no meio das voltas que deu para contornar as respostas dos deputados da comissão de inquérito às rendas excessivas, tentou também envolver o atual primeiro-ministro, António Costa, nas ligações ao BES e a José Sócrates.

A pergunta sobre o convite para o governo foi colocada pelo socialista Fernando Anastácio. Pinho aproveitou a deixa para chegar ao alvo. "Vi todos os jogos do Euro 2004 com António Costa. Víamos os jogos no camarote do BES", fez questão de sublinhar o antigo governante, adiantando logo de seguida que foi nesse contexto e pela mão de Costa que lhe foi apresentado José Sócrates, tendo a partir daí passado a relacionar-se com o ex-primeiro-ministro.

Pinho ainda referiu nomes como o de Ferro Rodrigues e Pedro Nuno Santos, mas foi-lhe pedido que atalhasse e respondesse diretamente à questão. A intenção do ex-ministro era sublinhar que não foi Ricardo Salgado, ex-presidente do Grupo Espírito Santo e do BES, quem indiciou o seu nome. "Quando alguém diz que fui indicado por A, B ou C ninguém vem dizer que isso não é verdade porque eu assisti a tudo", lamentou Manuel Pinho. O gabinete de Costa afirmou não ter comentários a fazer.

Questionado pelo BE sobre se sempre declarou de forma verdadeira os rendimentos ao Tribunal Constitucional, Pinho recusou responder. "Respondo com a declaração que fiz no início", rematou. No arranque da sessão, o antigo titular da pasta da Economia tinha sido perentório numa só frase: "É falso que tenha recebido uma avença do BES."

Tecnicamente, Pinho não mente. Os dados recolhidos pelo Ministério Público no caso EDP – e já consultados pelo CM – revelam que o ex-governante não recebeu através do banco, mas antes por via da ES Enterprises, o suposto ‘saco azul’ do GES. No período em que foi ministro, de março de 2005 a julho de 2009, Pinho terá recebido um total de 1,27 milhões.


PORMENORES

Longa discussão
As extensas respostas de Manuel Pinho, muitas fora de contexto, ditaram que a audição se prolongasse por mais de cinco horas.

Primeira ida à AR
Em julho, Pinho tinha estado na comissão de Economia na qual nada disse. O PSD disse esta quinta-feira que o ex-ministro, na altura, "brincou com os deputados".

Ex-ministro invocou direito ao silêncio e negou respostas

O antigo governante invocou o "direito ao silêncio" e o facto de ser suspeito no caso BES para não responder a questões. A posição foi contestada pelos deputados. O presidente da comissão de inquérito pode apresentar queixa por desobediência.

EDP diz que perde e foi prejudicada

João Manso Neto, líder da EDP Renováveis, afirmou esta semana, na comissão de inquérito parlamentar, que a EDP foi prejudicada em quase 740 milhões de euros na sequência dos CMEC. Desse valor, 500 milhões são relativos a alterações regulatórias.




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