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Correio da Manhã

Política
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"Pior coisa que pode haver num Estado é ter um Governo fraco"

O líder do PSD, Passos Coelho, disse esta quinta-feira em Bruxelas que só o Governo pode dizer se Portugal precisa de recorrer ao fundo de resgate europeu, já que a Oposição não tem conhecimento da verdadeira situação financeira do País.
24 de Março de 2011 às 13:08
Líder do PSD afirma que a Oposição não tem conhecimento da verdadeira situação financeira do País
Líder do PSD afirma que a Oposição não tem conhecimento da verdadeira situação financeira do País FOTO: EPA

Pedro Passos Coelho, que falava à entrada para uma cimeira do Partido Popular Europeu (PPE), disse ainda acreditar que os seus parceiros da maior  família política europeia, entre os quais se contam a chanceler alemã Angela Merkel, entenderão o ‘chumbo’ do PSD ao Programa de Estabilidade e Crescimento, que precipitou a demissão do primeiro-ministro José Sócrates, pois perceberão que o pior para Portugal seria continuar a ter "um Governo fraco".  

Numa cimeira partidária que conta actualmente com 15 dos Chefes de Estado ou de Governo da UE, mas que é alargada aos líderes da oposição dos restantes  Estados-membros da União Europeia, a chegada de Passos Coelho foi seguida hoje com particular curiosidade pela imprensa internacional, face à crise política em Portugal e o eventual recurso do País ao fundo europeu de estabilização. 

Em português, e em inglês, o presidente dos sociais-democratas disse à entrada do Castelo de Bouchout, nos arredores de Bruxelas, não estar em condições de responder à questão da eventual activação do fundo de resgate, embora o PEC agora chumbado deixe adivinhar que a situação é grave.   

"Só o Governo é que pode responder a essa questão, na medida em que isso pressupunha um conhecimento da situação financeira do país que a oposição  não tem. Sabemos, no entanto, que se os esforços do Governo português, o controlo da dívida e da situação financeira tivessem sido bem sucedidos, não teria sido necessário a apresentação de um plano tão agressivo como  aquele que o Governo apresentou", afirmou.  

Questionado sobre a reacção que espera dos líderes do PPE face ao sucedido na quarta-feira na Assembleia da República, atendendo a que líderes como Merkel - mas também o próprio presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, igualmente da família dos populares europeus - haviam apoiado o PEC IV, Passos Coelho disse esperar compreensão. 

"Eu espero que os líderes europeus, que são políticos também, percebam que a pior coisa que pode haver num Estado, numa sociedade, é ter um Governo fraco. A possibilidade para o País de ter um Governo mais forte e comprometido com as reformas que é necessário fazer imporá menos sacrifícios aos contribuintes  e aos cidadãos, e é capaz de gerar mais confiança nos mercados, e é isso que Portugal precisa", disse.  
 
Admitindo tratar-se de "uma situação delicada que precisa de ser enfrentada", Passos Coelho reiterou a ideia de que desta crise poderá sair um Governo mais forte, com o PSD ao leme.  

"A minha convicção, afirmei-o ontem em Lisboa e reafirmo-o aqui, é de que as próximas eleições podem trazer um Governo mais forte e mais comprometido, não apenas com um verdadeiro plano de redução do nosso défice público, mas também de controlo da dívida portuguesa, e isso pode ser bom para Portugal".

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