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Correio da Manhã

Política
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POLÍTICA NA CASA PIA

Telmo Correia, líder da bancada do CDS-PP, reafirmou ontem lamentar a utilização do escândalo da Casa Pia como arma de arremesso partidário, tal como já tinha escrito na carta em que manifestou a disponibilidade do seu partido para receber os ex-casapianos, Pedro Namora e Adelino Granja, no Parlamento. O teor da carta já tinha desagradado aos dois ex-alunos e Granja receia que se esteja a tentar “desviar as atenções”.
17 de Janeiro de 2003 às 00:00
Zangados, Namora e Granja só aceitarão uma audiência com o Grupo Parlamentar do CDS-PP se os populares reformularem o teor da carta em que manifestaram disponibilidade para os receber. É que os ex-casapianos, que ontem foram recebidos na Assembleia da República pelas bancadas do PCP e do PSD, consideram o conteúdo da carta assinada por Telmo Correia, líder do Grupo Parlamentar do CDS-PP, “muito desagradável”.

Confrontado com as queixas dos ex-alunos da Casa Pia, Telmo Correia desvalorizou-as. De acordo com o líder da bancada do CDS-PP, que afirmou lembrar-se de Pedro Namora como assessor do grupo parlamentar do PCP, o caso da Casa Pia “está a ser usado “como arma de arremesso político”. Na carta, dirigida aos ex-casapianos e a que o Correio da Manhã teve acesso, pode ler-se: “(...) Gostaríamos que soubessem que lamentamos a utilização como arma de arremesso político desta situação, seja por quem for. Respeitando todas as convicções partidárias ou ideológicas, esta matéria merece a nossa atenção (...)”.

Terão sido estas acusações, juntamente com o facto de Telmo Correia afirmar não ter recebido nenhum pedido de audiência mas mostrar disponibilidade para a conceder, que motivaram o desagrado de Pedro Namora e de Adelino Granja. De acordo com os antigos alunos da Casa Pia, “nunca foi pedida nenhuma audiência aos partidos. Os grupos parlamentares é que têm estado a pedir para nos receber, depois de a maioria ter recusado ouvir-nos na Comissão Paralmentar”.

Contactado pelo CM, Adelino Granja afirmou que “Telmo Correia quer desviar as atenções do caminho correcto da investigação. Está a querer ligar as pessoas ao partido A ou ao partido B”.

'SÓ QUEREM PROTAGONISMO!'

Teresa Costa Macedo acusou os ex-casapianos Pedro Namora e Adelino Granja de sede de protagonismo e de nada terem a dizer sobre os alegados casos de pedofilia na Casa Pia de Lisboa, produzindo apenas declarações absurdas e falsas. Confrontado com estas declarações, Adelino Granja disse ao CM que equaciona pôr um processo por difamação a Teresa Costa Macedo.

A antiga secretária de Estado da Família, em comunicado, respondeu às críticas recentes dos dois antigos alunos da Casa Pia que têm surgido na comunicação social. Lembrando que quem lançou a questão dos alegados abusos sexuais de menores na Casa Pia foram o jornal "Expresso" e a SIC, Costa Macedo afirma que Pedro Namora e Adelino Granja apenas "apanharam a boleia", apesar de terem estado tão quietos como os demais durante 20 anos.

Costa Macedo diz que as declarações de Namora e Granja têm como único efeito real "um desvio de atenções para o cerne do problema: a verdadeira investigação da rede de pedofilia”. E acusa-os de se colocarem "em bicos dos pés" em todos os lugares, "produzindo declarações vazias e insinuações veladas, prometendo muito mas nada concretizando”.
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