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Correio da Manhã

Política
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Porfírio Silva alerta para risco da concentração do poder no topo da pirâmide

Dirigente socialista considera que a maioria absoluta do PS abre um ciclo político longo que tem sempre "alçapões".
Lusa 31 de Janeiro de 2022 às 13:34
Porfírio Silva, deputado e dirigente do PS
Porfírio Silva, deputado e dirigente do PS FOTO: Direitos Reservados
O dirigente socialista Porfírio Silva considera que a maioria absoluta do PS abre um ciclo político longo, que tem sempre "alçapões" e o risco de uma tendência deslizante para a concentração do poder no topo da pirâmide.

Este aviso consta de um artigo que o membro do Secretariado Nacional do PS esta segunda-feira publica no seu blogue pessoal, intitulado "Máquina Especulativa", em que também afirma ter "pena que tenha sido necessário lutar por uma maioria absoluta do PS para garantir que a esquerda seja capaz de dar uma estabilidade progressista à governação de Portugal".

Sobre os desafios resultantes das eleições legislativas de domingo, Porfírio Silva assinala que os ciclos políticos longos "têm os seus próprios escolhos e alçapões".

"O problema básico dos ciclos políticos longos é a tendência deslizante para a concentração do poder no topo da pirâmide e o deslaçamento do enraizamento na base (seja em relação à base de apoio popular, seja em relação à base institucional que organiza o conjunto)", escreve.

Porfírio Silva diz depois acreditar que a liderança socialista "tem a noção completa desse risco e quererá combatê-lo com método".

"Não é preciso inventar: promover que o Grupo Parlamentar do PS expresse a pluralidade do país e a diversidade do nosso eleitorado, sem temer que isso prejudique a liderança executiva do Governo; assumir o parlamento como um lugar de verdadeira deliberação, usando mais a arma da argumentação, da negociação e do compromisso interpartidário do que a arma da maioria dos votos, procurando mais convencer do que vencer; apostar ainda mais na concertação social, a todos os níveis, procurando que todos os parceiros entendam - e sintam no concreto - que vale mais negociar do que ficar de fora", indica.

O membro do Secretariado Nacional do PS cita e elogia o discurso proferido por António Costa na noite eleitoral de domingo, quando salientou pontos como a "responsabilidade do diálogo e da concertação".

"Para evitarmos absolutamente que nos possa acontecer secar com a arrogância ou com a auto-suficiência. Como todos os outros, também o nosso ciclo vai terminar, mas temos de saber fazer este caminho atentos à diversidade do país, amigos da diferença, promotores da pluralidade", defende.

Neste seu artigo, Porfírio Silva critica Bloco de Esquerda e PCP, dizendo que "a esquerda da esquerda, fazendo do Governo do PS o bombo da festa, no meio de uma pandemia sem precedentes e de uma crise económica e social gravíssima, perdeu a noção da realidade e, com isso, deu uma oportunidade à direita".

"A esquerda da esquerda deu ao PSD um bónus (poder argumentar que a esquerda foi incapaz de garantir a governabilidade e acenar com a alternativa de um bloco central assumido ou implícito) e deu ao partido do protofascista uma janela de oportunidade que não teria daqui a dois anos, se a legislatura não tivesse sido interrompida", sustenta.

Em relação ao PSD, o "vice" da bancada do PS entende que Rui Rio "viu bem a necessidade de ter um partido de centro-direita que se libertasse do radicalismo do ir além da 'troika', mas não teve a coragem política de ser consequente".

"Queria ser de centro e, ao mesmo tempo, amigável para o protofascista, até ao ponto de vir, à última hora da campanha, sugerir uma geringonça de direita, desdizendo tudo o que vinha anunciando há semanas como o seu compromisso político", considera.

No que respeita à Iniciativa Liberal (IL), Porfírio Silva defende que "é preciso fazer um trabalho mais rigoroso no debate ideológico" e "não deixar que este partido se aproprie - para dourar a pílula de propostas políticas que só servem grupos privilegiados - das coisas boas que a inspiração filosófica do liberalismo teve na evolução do pensamento da humanidade".

"Obrigar a IL a sair dos chavões e a posicionar-se perante as diversas questões que cindem o campo alargado do liberalismo. Não esquecer que a tradição liberal em política vai desde a escola de economistas que suportou o facínora Pinochet até aos liberais que estão no Governo com o SPD na Alemanha", acrescenta.

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