Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
3

Porta fechada a coligações

Paulo Portas está apostado em dar “estabilidade e tolerância” interna ao CDS e fazê-lo crescer “sem alianças em quaisquer circunstâncias”. Estas são algumas linhas de força do Documento de Orientação Política, intitulado ‘Directos ao Futuro’, que vai apresentar hoje ao fim tarde, em Aveiro, aos militantes do partido.
9 de Abril de 2007 às 00:00
No documento, com apenas 15 páginas e que antecipa a Moção de Estratégia Global que vai levar ao congresso caso seja eleito, Paulo Portas apresenta três grandes objectivos: melhorar a oposição ao Governo, dar liderança e rumo ao espaço político que não se revê na governação do PS e estabilidade e tolerância ao CDS.
Com a consciência de que o CDS, se continuar como está, “corre o risco de ter em 2009 um votação residual”, a prioridade de Portas para 2007 é fazer crescer o CDS “sem colocar fasquias nesse espírito de conquista”. O ex-ministro do Governo de coligação PSD/CDS-PP afasta para já cenários de alianças políticas, marcando a diferença do actual líder, José Ribeiro e Castro, que não fechou a porta à hipótese de uma coligação com o PSD. “O objectivo do CDS é crescer, não é fazer alianças em quaisquer circunstâncias. O CDS é diferente do PS, é autónomo em relação ao PSD e é independente da evolução interna do PSD”, explica.
Além de apresentar uma listagem de prioridades (ver caixa), Portas defende uma atitude política nova, da qual destacamos: preparar, até 2009, uma equipa de Governo “visível e funcional” e um projecto de linhas gerais de Orçamento alternativo para 2009.
As orientações de Portas têm como conceito central a oposição a Sócrates, à sua “teimosia”, “obsessão” e “arrogância”, explorando as inseguranças que os portugueses sentem nas áreas da saúde, emprego e juventude. Pelo que escreveu no documento, percebe-se que Portas vai fazer uma campanha para as directas completamente virada para fora. Isto é, evitando às polémicas internas do partido.
AS PRIORIDADES DE PORTAS
- Qualificar os debates com o primeiro-ministro. “É a oposição que fiscaliza o Governo, não é o primeiro-ministro que avalia a oposição.”
- Criticar consistentemente os sectores mais vulneráveis do Governo. “Dado que se acumulam ministérios politicamente inexistentes e ministros obviamente pouco competentes.”
- Avaliar sistematizada e regularmente as reformas prometidas “e só parcialmente concretizadas”.
- Denunciar “os crescentes sinais de arrogância e acumulação de poderes especiais na esfera do primeiro-ministro”.
- Fiscalizar efectivamente o Governo, “que dá sinais preocupantes de teimosia e obsessão nos grandes e investimentos públicos [...]”.
- Clarificar as diferenças programáticas. “Entre um PS que pretende se afirmar no centro esquerda e um CDS que quer crescer no centro direita.”
Ver comentários