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Correio da Manhã

Política
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Portas pede voto e exalta trabalho

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, abriu ontem o calendário de rentrées políticas com um discurso sobre o valor do trabalho e da segurança, num duplo ataque à esquerda e ao Governo socialista: "Com José Sócrates não é possível subir legitimamente na vida." Em Aveiro, sublinhou que o esforço laboral não redunda na luta de classes, mas "numa aliança entre os que trabalham e os que criam emprego". E pediu aos eleitores uma oportunidade ao CDS, o partido "que mais trabalha".
23 de Agosto de 2009 às 00:30
O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, falou perto de uma hora contra José Sócrates
O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, falou perto de uma hora contra José Sócrates FOTO: Estela Silva/Lusa

As palavras do presidente centrista tinham por objectivo piscar o olho à classe média para atingir a meta eleitoral: ultrapassar o PCP e o BE.

Atacando os resultados da maioria absoluta "obediente" socialista, Portas sustentou que "um voto no CDS é um voto de viragem na política económica", fazendo escassas referências críticas ao PSD.

As baterias estiveram todas apontadas para o primeiro-ministro e exigiu que a Caixa Geral de Depósitos esteja "completamente orientada" para as Pequenas e Médias Empresas. "Não quero uma Caixa Geral de Depósitos orientada para pôr as mãos debaixo dos BPN e BPP." E voltou à carga contra Vítor Constâncio, do Banco de Portugal. A Sócrates acusou-o de "proteger um camarada" pelas distracções na supervisão bancária.

Diferenças com o PSD foram feitas no Rendimento de Inserção Social, em algumas reformas penais e ainda na defesa clara da baixa de impostos. O capítulo de alianças com o PSD está em aberto, por isso, Portas preferiu elencar o seu "caderno de encargos": Segurança, autoridade do Estado, Justiça, emprego e empresas.

"JOSÉ SÓCRATES JÁ PERDEU"

José Ribeiro e Castro, ex-líder do CDS-PP e cabeça-de-lista do partido pelo Porto, vaticinou ontem que "José Sócrates já perdeu".

O candidato, presente na Praça do Peixe em Aveiro, foi confrontado com as suas divergências em relação ao estilo da direcção de Paulo Portas sobre a associação entre imigração e alta criminalidade. Em resposta, declarou: "Estou a trabalhar para termos um grande resultado", evitando a polémica interna.

Quanto a coligações, José Ribeiro e Castro, ex-eurodeputado, é claro: "O partido deve trabalhar para soluções de futuro." Mais, "ninguém tem dúvidas sobre quais as soluções de governação".

O antecessor de Portas na liderança do CDS não quis adiantar a sua opinião sobre futuras alianças, mas deixou antever que o caminho, a ser necessário, só pode ser um acordo com os sociais-democratas.

Ribeiro e Castro e os restantes cabeças-de-lista do CDS estiveram a ultimar o programa eleitoral.

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