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Correio da Manhã

Política
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PORTAS SÓ FALA COM PS

O ministro da Defesa, Paulo Portas, recebeu ontem uma delegação do PS, chefiada pelo deputado Marques Júnior, para dar a conhecer as linhas gerais do novo Conceito Estratégico Militar (CEM), mas excluiu o PCP e o BE por considerar que estes partidos "se opõem aos eixos estruturantes da política da Defesa Nacional".
23 de Dezembro de 2003 às 00:00
O ministro da Defesa não quis discutir com PCP e BE matérias reservadas
O ministro da Defesa não quis discutir com PCP e BE matérias reservadas FOTO: Marta Vitorino
Esta atitude de Portas mereceu o imediato repúdio dos dois partidos. O deputado do PCP António Filipe considerou "intolerável e inadmissível que o ministro discrimine os partidos em função da sua dimensão ou posição política no acesso à informação considerada reservada". Já para Francisco Louçã, do BE, tratou-se de uma "atitude manhosa e de arrogância de quem quer apenas discutir só com quem está de acordo com ele".
Em verdade, não há nenhuma lei que obrigue o Governo a ouvir os partidos sobre esta matéria. O novo CEM (aprovado na semana passada pelo Conselho de Chefes de Estado-Maior) é um documento vital para a Defesa Nacional. A sua aprovação significa que só faltará ao Governo definir (possivelmente em 2004) o Sistema Nacional de Forças, as Missões e os Dispositivos para completar a revisão doutrinal de todos os documentos fundamentais da Defesal: Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN), Conceito Estratégico Militar (CEM), Sistema de Forças, Missões e Dispositivos.
Não admira, pois, que Portas considere o CEM uma "matéria reservada" e se recuse a discutir o documento com todos os partidos. O ministro excluiu o PCP e BE não porque sejam partidos pequenos- como diz Lino de Carvalho- mas porque sempre contestaram os referenciais da política de Defesa e de Segurança a vocação atlântica e a participação europeia. Mas já o PS, partido europeísta e atlantista, mereceu uma "atenção". No final do encontro com Portas, Marques Júnior confirmou que "não era obrigatório o Governo dar a conhecer o CEM aos partidos da oposição", mas registava "a atenção do ministro".
O objectivo de Portas é só um: conseguir um pacto de regime na área da Defesa, porque sabe que sem o PS é sempre mais difícil fazer reformas. E, além disso, aproveita para dividir a esquerda...
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