Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
9

PORTUGAL APOIA UNITA NA CONSOLIDAÇÃO DA PAZ

A UNITA tem o apoio de Portugal no quadro do processo de paz e consolidação da democracia em Angola, garantiu ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas Martins da Cruz no final da reunião com o coordenador da Comissão de gestão da UNITA, Paulo Lukamba Gato.
19 de Junho de 2002 às 00:21
Nas suas declarações, Martins da Cruz afirmou ter encorajado o movimento a tornar-se num verdadeiro partido político.


Além disso, o ministro, ao referir-se às "responsabilidades históricas", disse que Portugal "tem capacidades especiais para seguir o processo de paz em Angola, nas vertentes militar, política e humanitária bem como no acompanhamento da chamada envolvente internacional neste processo".


O chefe da diplomacia portuguesa salientou a importância do papel da UNITA no processo de paz. Opinião partilhada por António Costa, líder parlamentar do PS, e Telmo Correia, líder parlamentar do CDS-PP, que também se reuniram ontem, mas pela manhã, com o General Gato, na Assembleia da República. "A paz em Angola só pode ser feita com a UNITA. A UNITA não é uma ficção, mas uma força indispensável em Angola, porque se encontra profundamente enraizada na sociedade angolana", declarou Telmo Correia. Por sua vez, António Costa, sublinhou a importância da UNITA e do Estado Português virarem a página de antigos relacionamentos menos bons no passado recente e iniciarem uma parceria estratégica.


Em relação à intervenção de Portugal no processo de paz, o ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que "neste momento está a ser estudado o papel a desempenhar na conferência de doadores de Angola", a realizar em Outubro. Martins da Cruz defendeu ainda que os elementos da UNITA no exterior devem deslocar-se a Angola e prometeu acompanhamento diplomático "se tiverem receio" de o fazer.


Sobre o objectivo da viagem de quatro dias a Portugal, depois de uma visita aos Estados Unidos e antes de partir para França, Lukamba Gato disse que o objectivo é "pedir que compreendam a situação que se verifica em Angola" e realçar que apenas a fase é diferente, "os problemas não estão resolvidos". O responsável da UNITA realçou ainda as más condições em que vivem os cerca de 80 mil militares já aquartelados e as suas famílias. "Nesta viagem viemos pedir algum apoio suplementar para que os soldados e as suas famílias tenham uma vida digna", declarou. No final, Gato afirmou acreditar na capacidade da UNITA em se apresentar em pleno nas eleições previstas para 2004.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)