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Correio da Manhã

Política
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Portugal escapa a Chávez

O furor de homem-espectáculo do presidente venezuelano Hugo Chávez tomou conta da 17.ª Cimeira Ibero-americana. Enquanto o presidente Cavaco Silva fez uma declaração concisa a defender a ideia de ‘inclusão activa’ e “no combate à exclusão e à pobreza”, o líder da Venezuela estendeu-se a invectivar todos os parceiros, repetindo ajustes de contas de 2002, ao ponto de chamar ‘verdadeiro fascista’ ao antigo primeiro-ministro José Maria Aznar, sem, no entanto, pronunciar o nome. Ao palavreado de Chávez escaparam apenas o rei de Espanha, Cavaco Silva e José Sócrates.
10 de Novembro de 2007 às 00:00
Alguns dos Chefes de Estado e do Governo que participaram na XVII Cimeira Ibero-Americana, no Chile
Alguns dos Chefes de Estado e do Governo que participaram na XVII Cimeira Ibero-Americana, no Chile
A cimeira tinha para aprovar um acordo de segurança social que permitirá aos trabalhadores migrantes somarem os descontos e benefícios que façam nos diversos estados do grupo. Foi isto que José Sócrates chamou “boas notícias para pessoas concretas”, observando que o cordo beneficiará cerca de um milhão de portugueses emigrados pelos países da América do Sul e central, sobretudo no Brasil e Venezuela.
Convidado para abrir a sessão plenária, Cavaco Silva regozijou-se com o tema escolhido para a cimeira, porque ele próprio também fez da inclusão social uma iniciativa prioritária do seu mandato e alertou: “As situações de pobreza extrema, de exclusão social e de chocante desigualdade na distribuição dos rendimentos são inimigas do respeito pelos Direitos Humanos, minam a confiança nas instituições democráticas e prejudicam a concretização plena da ideia de progresso que ambicionamos”.
Este ponto de vista não agradou a Chávez que depois de lembrar a frase “agora já não sou o único diabo” que Fidel Castro lhe disse na primeira vez em que se encontraram numa Cimeira Ibero--americana, se lançou num furacão discursivo contra todos, “americanos de EUA de Bush e fascistas”. E não poupou nenhum dos seus vizinhos continentais: chamou magnata do petróleo ao brasileiro Lula da Silva, queixou-se das vacas, prenhas ou não, com que Uruguai ou Peru lhe querem pagar as compras de petróleo, disse que a coesão social que “é algo terrivelmente injusto e mau, porque o diabo e o inferno também podem ser coesionados”.
O IMPOSSÍVEL 'PENETRA'
Não é só por dizerem que Andorra também está presente na Cimeira Ibero-americana que os encontros de líderes parecem ter alguns ‘penetras’. Ontem de manhã, na hora da entrada dos participantes para a primeira reunião, a presidente chilena deu espaçadamente boas vindas a presidentes e outros dignatários de 21 países visitantes. Chegou o rei de Espanha, totalistas das 17 cimeiras, e depois de alguns outros surgiu Hugo Chávez. Logo a seguir apareceu Cavaco Silva que acenou sorridente aos fotógrafos.
Complicado foi saber quem era o seguinte. O CM pediu a uma dúzia de pessoas que estavam diante de um ecrã cinematográfico de TV que nos identificasse o homem de Estado. Desistia depois de pedir ajuda. Obviamente não era penetra, mas fica como exemplo significativo de como a Cimeira Ibero-americana ainda é, à 17.ª edição, um encontro de desconhecidos. Para informação de interessados adiantamos que era o representante da República Dominicana.
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