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Correio da Manhã

Política

PORTUGAL SEM GARANTIAS DE NEGÓCIOS NO IRAQUE

O Governo está ainda a avaliar as possibilidades das empresas portuguesas participarem na reconstrução do Iraque, bem como o envio de militares, no âmbito de uma missão de paz quando o conflito terminar.
12 de Abril de 2003 às 00:20
Durão Barroso e o seu homólogo da Suécia, Goran Persson, em S. Bento
Durão Barroso e o seu homólogo da Suécia, Goran Persson, em S. Bento FOTO: Paulo Carriço (Lusa)
No entanto, em Espanha, José Maria Aznar já assegurou às empresas que vão ter acesso aos negócios no Iraque, adianta o jornal ‘Cinco Dias’. Segundo o mesmo jornal a Espanha participará na reconstrução dos sectores da água, gás, linhas eléctricas e telefónicas, obras públicas, habitação e hospitais.
Em Portugal apenas se sabe que os ministérios dos Negócios Estrangeiros (MNE) e da Economia estão a recolher informação sobre oportunidades de negócios e que já foram preparados planos de contingência para o caso de ser necessário enviar forças militares para o Iraque, no âmbito de misssões humanitárias e manutenção da paz.
Ainda ontem, Barroso, numa conferência de Imprensa que se seguiu ao encontro que manteve com o primeiro-ministro sueco, Goran Persson, reiterou o empenho de Portugal em participar na reconstrução daquele país. Não disse, no entanto, em que áreas seria possível Portugal participar, afirmando apenas estar aberto a "considerar opções que se coloquem" e que tem mantido um contacto intenso com a Administração Bush a vários níveis.
O chefe do Governo fez, ainda, questão de deixar claro que "não houve qualquer intuito de natureza económica e comercial" quando decidiu apoiar politicamente os EUA e que "ainda é prematuro" para falar em contratos dessa natureza, uma vez que "o conflito ainda não terminou".
Segundo o MNE, vários empresários, principalmente do sector das obras públicas, já mostraram interesse em participar na reconstrução do Iraque, mesmo sem garantias e sem propostas concretas. Ao que o CM apurou junto de associações de empresários, nem todos os empresários estão optimistas. Para Isabel Beja da Assimagra, Associação das indústrias de mármore, “obviamente que seria óptimo participar no projecto de reconstrução, principalmente numa altura em que o mercado está a descer”. “No entanto, muitas vezes esses grandes projectos ficam na mão das grandes empresas italianas ou alemãs”, sustentou. A mesma opinião tem António Correia da Associação de Empresas de Construção de Obras Públicas do Sul (AECOPS). “Seria uma oportunidade de negócio, mas em termos realistas não me parece que as empresas portuguesas possam obter mais que do que a subcontratação. Os empresários estão atentos, mas os termos dessa subcontratação podem não ser muito atractivos”, sustentou.
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