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Correio da Manhã

Política
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Portugal vai entrar em recessão

No mesmo dia em que José Sócrates declarou que o défice orçamental do Estado "ficará claramente abaixo dos 7,3%" do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, o Banco de Portugal anunciou que o País entrará em recessão no corrente ano.
12 de Janeiro de 2011 às 00:30
Sócrates e Teixeira dos Santos negam pedido de ajuda
Sócrates e Teixeira dos Santos negam pedido de ajuda FOTO: Mário Cruz/EPA

 Todo o crescimento conseguido em 2010 (1,3%), e que serviu para Sócrates sublinhar ontem que "crescer o dobro do previsto e reduzir a despesa para metade, isto em qualquer país do Mundo é obra", será anulado em 2011, uma vez que a quebra prevista pela instituição liderada por Carlos Costa é de, precisamente, 1,3%.

Acompanhado pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, o chefe do Executivo revelou que o Governo tem um folga orçamental de 800 milhões de euros, o equivalente a 0,5% do PIB. Quanto à despesa do subsector Estado, as previsões do Governo apontam para que encerre o ano de 2010 nos 1,7%, abaixo dos 2,5% previstos inicialmente.

Sócrates garantiu que "Portugal não necessita de nenhuma assistência financeira" e criticou o aproveitamento político de alguns líderes em torno de uma eventual intervenção do FMI em Portugal. "O Governo português não vai pedir nenhuma assistência financeira pela simples razão de que não é necessária. Portugal tem condições de se financiar no mercado", assegurou Sócrates.

Esta ideia é contrariada pelo Banco de Portugal, que realça a necessidade da continuação do apoio do Eurosistema (BCE) ao financiamento da banca nacional "num contexto de persistência de dificuldades de acesso dos bancos portugueses aos mercados de financiamento por grosso". Em relação às taxas de juro de longo prazo elas deverão fixar-se nos 6,2% em 2011 e 6,6% em 2012.

"NÃO SÃO UM CASO PERDIDO"

"Impressionado" com o desenvolvimento português e com "uma boa expectativa" em relação à evolução nacional, Wolf Klinz, presidente da Comissão Especial sobre a Crise Financeira, Económica e Social, defende que "Portugal não é um caso perdido". A afirmação foi proferida ontem, após a primeira reunião da comissão com as autoridades lusas, para avaliar o estado das finanças e da economia. A comissão reuniu-se com o ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, e pequenos e médios empresários nacionais. No final, Wolf Klinz salientou "o investimento que Portugal tem feito na educação e inovação". No entanto, aquele responsável escusou-se a comentar se o País precisa ou não de recorrer ao auxílio internacional.

CGD JÁ INJECTOU CINCO MIL MILHÕES NO BPN

A CGD já emprestou ao BPN, desde a nacionalização deste banco, cerca de cinco mil milhões de euros. A última operação de crédito do banco liderado por Faria de Oliveira ao BPN, no valor de 200 milhões de euros, ocorreu já este ano, na sequência da polémica que marcou a pré-campanha eleitoral das eleições presidenciais.

Ontem, na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, Teixeira dos Santos deixou claro que, "neste momento, a injecção de liquidez da CGD no BPN ronda os cinco mil milhões de euros". O ministro das Finanças disse que a falência do BPN causaria um prejuízo de 20 mil milhões de euros.

SERÃO PRECISOS MAIS CORTES

O Boletim de Inverno do Banco de Portugal deixa claro que serão necessárias mais medidas de austeridade se Portugal quiser atingir um défice de 3% do PIB em 2012. "É de destacar a necessidade de melhor especificação das medidas de consolidação orçamental, nomeadamente no quadro do OE de 2011, bem como de medidas adicionais que se revelem necessárias para cumprir os objectivos do défice traçados para 2011 e 2012".

Mas não basta cortar. Uma das grandes preocupações da instituição liderada por Carlos Costa é a criação de condições que permitam à economia portuguesa crescer acima dos tímidos 0,6% previstos para 2012. Entre essas condições estão a implementação de reformas no mercado de trabalho "indutoras de maior eficiência na afectação dos trabalhadores aos postos de trabalho".

 

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