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Correio da Manhã

Política
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"Portugueses saberão sancionar aqueles que apostarem numa crise política"

O dirigente socialista António Vitorino acusou este sábado o Bloco de Esquerda de "federar descontamentos para fazer política apenas assente no protesto" e de ser "imprestável" para soluções governativas, considerando que "os portugueses saberão sancionar aqueles que apostarem numa crise política".
12 de Fevereiro de 2011 às 13:26
António Vitorino acusa BE de "federar descontamentos para fazer política apenas assente no protesto"
António Vitorino acusa BE de 'federar descontamentos para fazer política apenas assente no protesto' FOTO: João Miguel Rodrigues

"Há quem pense que apostar no descontentamento seria o bastante para  construir uma alternativa de Governo, na verdade, federar descontamentos para fazer uma política apenas assente no protesto até é o mais fácil, mas essa nunca foi nem será a via que permite criar um horizonte de esperança  aos portugueses", afirmou Vitorino.

As palavras do dirigente do PS foram proferidas na abertura do Fórum Novas Fronteiras - Defender Portugal, do qual é coordenador.

Na sua intervenção, que contou com a presença na primeira fila, do primeiro-ministro e secretário-geral do PS, José Sócrates, Vitorino abordou a moção de censura do BE para dizer que o anúncio feito esta semana "já deu sinais de fragilizar o nosso País na luta titânica para garantir as condições de financiamento da economia portuguesa".

O socialista acusou os bloquistas de estarem unicamente centrados "num ‘sprint' para chegar antes do PCP à meta da censura".

Segundo Vitorino, "esta inciativa é a melhor prova de que uma esquerda de mero protesto é totalmente imprestável para a construção de uma alternativa de governo coerente, sólida e capaz de responder às necessidades dos trabalhadores portugueses e do País".

"Verdade seja dita, esse anúncio da moção de censura não nos surpreende, porque vem de quem tem apenas um objectivo, combater o PS e um projecto de esquerda reformista em função de interesses partidários muito estreitos", criticou, num discurso onde fez um ataque cerrado ao BE. 

O coordenador das Novas Fronteiras acusou ainda os bloquistas de protagonizarem uma "pirueta" sobre a moção de censura, utilizando a ironia.

"Em oito dias, deve ser, aliás, recorde mundial, a moção passou de não ter utilidade prática a ter a utilidade de um anúncio a um mês de vista, ficámos assim a saber a diferença temporal entre a gestação das moções de censura e a gestação dos bebés", disse.

Neste contexto, Vitorino advertiu que "os portugueses já deram provas ao longo dos anos de que estimam o valor da estabilidade" que "a aposta  e convicção" dos socialistas "é a de que os portugueses saberão sancionar aqueles que apostarem numa crise política".

"Os portugueses compreendem como neste momento delicado é importante, necessário, inadiável, imprescindível, garantir a estabilidade governativa, porque se às dificuldades económicas acrescentássemos uma crise política seríamos ainda mais severamente punidos pelos mercados, com consequências nefastas para a vida quotidiana dos cidadãos portugueses", referiu.

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