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Correio da Manhã

Política

PR admite duas eleições num dia

Na véspera de ouvir os partidos sobre a data das eleições legislativas, o Presidente da República voltou a admitir a possibilidade de marcar aquele acto eleitoral para o dia das eleições autárquicas. Mais: revelou a existência de sondagens favoráveis à realização de eleições em simultâneo.

24 de Junho de 2009 às 00:30
Presidente da República, Cavaco Silva, em Edimburgo, onde recebeu o doutoramento honoris causa
Presidente da República, Cavaco Silva, em Edimburgo, onde recebeu o doutoramento honoris causa FOTO: Luís Filipe Catarino

'As sondagens que têm sido feitas manifestam uma preferência por eleições simultâneas, mas, repito, nesta matéria a opinião dos partidos é importante', afirmou ontem Cavaco Silva, em Edimburgo, onde recebeu o doutoramento honoris causa pela universidade Heriot-Watt. Numa atitude rara, o Chefe de Estado comentou política interna numa visita ao estrangeiro.

Os seis partidos com assento parlamentar apresentam hoje ao Presidente as suas propostas sobre a data para as eleições legislativas, mas todos já deixaram claro a sua posição. Só o PSD defende a realização das duas eleições (legislativas e autárquicas) no mesmo dia e apresentou como argumentos a contenção de custos e o combate à abstenção. Mas não convenceu os restantes partidos, incluindo o PS, que defendem 'clareza democrática' e apontam a data de 11 de Outubro para as autárquicas.

No Governo, também o dia 11 de Outubro tem sido aventado como a hipótese mais provável para as eleições locais.

Já para as legislativas, PCP, BE e PEV assumiram a preferência pelo dia 27 de Setembro. Aliás, mesmo no PSD, essa data está a ser encarada como a mais forte possibilidade, se as eleições forem em separado.

Hoje, o Presidente quer ouvir os argumentos de todos os partidos e a data será conhecida até ao final deste mês. 'É importante ouvir os partidos porque a data tem sido muito discutida e nem todos pensam o mesmo. Além de ouvir a data quero conhecer os argumentos', sublinhou Cavaco. Mas decisivo será ainda o encontro entre Chefe de Estado e primeiro-ministro. A reunião de ambos deve ocorrer na sexta-feira, dia 26.

O Presidente já tinha alertado para a possibilidade de as eleições coincidirem quando esteve em Trancoso, Guarda. 

CAVACO PEDE ATENÇÃO PARA AS FINANÇAS PÚBLICAS

'Portugal vai ter de olhar com muita atenção para as suas finanças públicas depois da crise.' O aviso foi deixado ontem pelo Presidente da República, que admitiu haver decisões políticas difíceis de reverter.

Cavaco Silva considerou que Portugal é um dos países que estão a perder bastante receita fiscal, mas sublinhou que, no final da crise, têm de ser feitas outras opções políticas que, 'ao contrário do que os economistas dizem, são sempre decisões difíceis de reverter'. E deu como exemplo os impostos e as despesas sociais.

ARGUMENTOS 

UMA SÓ DATA

A redução de custos em quatro milhões de euros é um dos argumentos apresentados por quem defende as duas eleições em simultâneo.

COLIGAÇÕES

Se as eleições se realizarem no mesmo dia, há quem, no CDS, faça contas por causa das coligações autárquicas. Concelhos como Lisboa, com dimensão de campanha nacional, obrigariam a uma ginástica no discurso e iniciativas dos líderes do PSD e do CDS

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