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Correio da Manhã

Política
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"Predominam pequenos negócios”

Francisco Maria Balsemão defende investimento produtivo.
26 de Maio de 2011 às 00:30
'Predominam pequenos negócios”
'Predominam pequenos negócios”

 Correio da Manhã – Como analisa a actual situação do País?

Francisco Maria Balsemão – Portugal está a pagar a factura de um modelo económico baseado na procura interna. Na última década, o crédito fácil e as taxas de juro baixas alimentaram a procura interna, levando o Estado, as empresas e as famílias a endividarem-se muito para lá do que seria recomendável. Estamos hoje perante um cenário económico sombrio. É verdade que existe o risco de estrangulamento da actividade económica. E menos actividade económica significa menos receitas fiscais e mais encargos sociais provocados pelo desemprego, o que conduz inevitavelmente a um agravamento do défice orçamental. Existe, portanto, o risco de Portugal entrar num círculo vicioso. Contudo, a ANJE considera globalmente positivo e equilibrado o programa de assistência financeira a Portugal.

– Que retrato faz da vida empresarial portuguesa?

– Em Portugal, predominam os pequenos serviços e os negócios de proximidade desenvolvidos por microempresas, as quais têm menos de 10 trabalhadores e um volume de negócios anual inferior a 2 milhões de euros. Trata-se, portanto, de empresas sem escala e muito pouco competitivas globalmente. Acresce que, actualmente, muitas PME portuguesas se debatem com problemas de falta de liquidez, em boa medida devido à diminuição da procura interna e externa. Importa ressalvar, porém, que em Portugal está a crescer o número de PME de base tecnológica, que envolvem recursos humanos altamente qualificados e apresentam grande potencial de internacionalização. O País deve, pois, criar condições para que estas empresas baseadas em conhecimento sofisticado se desenvolvam e sejam competitivas no espaço global.

– Quais os apoios que faltam aos jovens empresários para darem um maior contributo para a economia nacional?

– A ANJE defende a necessidade de o financiamento público abarcar despesas desde a formulação da ideia empresarial à sua concretização efectiva. Sabendo que na nossa sociedade o espírito empreendedor é ainda ténue, faz todo o sentido não criar obstáculos logo a partir da ideia de negócio. O apoio financeiro deve, pois, ser conferido num estágio inicial, para não matar à nascença a pulsão empreendedora de muitos dos nossos jovens.

– Como se pode manter um nível de crescimento sustentado?

– O crescimento económico do nosso país passa, em boa medida, pelo investimento produtivo e pela internacionalização das empresas. O grande desafio de Portugal para os próximos anos é aumentar a produção de bens transaccionáveis e torná-los competitivos nos mercados externos.

PERFIL

 Francisco Maria Balsemão, filho do patrão da SIC, é licenciado em Engenharia Electrotécnica pelo Técnico e preside à Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE).

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