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Correio da Manhã

Política

Presidente do CDS admite adiamento do congresso do partido em caso de chumbo do Orçamento

Francisco Rodrigues dos Santos considerou "uma encenação política" as ameaças da esquerda de voto contra.
Lusa 14 de Outubro de 2021 às 13:23
Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS-PP
Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS-PP FOTO: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
O presidente do CDS-PP admitiu, esta quinta-feira, que o congresso do partido possa ser adiado caso o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) seja chumbado, mas considerou "uma encenação política" as ameaças da esquerda de voto contra.

"O CDS tem órgãos próprios que têm competências para avaliar a dinâmica do próprio calendário político, e se isso vier a acontecer é uma discussão que estará em aberto certamente no nosso partido", afirmou Francisco Rodrigues dos Santos em conferência de imprensa na sede nacional do CDS-PP, em Lisboa.

O líder centrista justificou que "nenhum português compreenderia" que "um partido estruturante da democracia e fundamental para uma alternativa política no centro-direita estivesse preocupado em eleições internas quando há eleições gerais no país".

No entanto, considerou que essa discussão é "demasiado precoce" e que não se pode "fazer fé nas alegações da esquerda porque elas no passado constituíram sempre uma encenação política para alavancar as suas exigências junto do PS e tornarem o Orçamento do Estado ainda pior do que ele já é".

PCP e BE acenaram com o voto contra a proposta do Governo de OE2022 já na generalidade que, a confirma-se, poderá resultar no seu chumbo.

"Não há razões para crer, atendendo ao histórico, que o orçamento não será aprovado. No entanto, a realidade política é dinâmica, não é estática, e o nosso partido saberá interpretar o resultado das votações", afirmou, reiterando que a direção antecipou este congresso eletivo "pela circunstância de preparar o partido para o próximo ciclo eleitoral, que são as eleições legislativas".

Apontando que "todos os orçamentos do Estado dos governos liderados por António Costa foram cozinhados à esquerda, e se esta encenação for igual a todas as outras, o desfecho é conhecido", Rodrigues dos Santos criticou que "a esquerda vai ter uma influência maior no Orçamento do Estado e o orçamento ficará ainda pior do que está".

O 29.º Congresso do CDS-PP está agendado para os dias 27 e 28 de novembro.

O primeiro processo de debate parlamentar do OE2022 decorre entre 22 e 27 de outubro, dia em que será feita a votação, na generalidade. A votação final global está agendada para 25 de novembro, na Assembleia da República, em Lisboa.

Nesta conferência de imprensa, o presidente do CDS-PP foi questionado também sobre as palavras do Presidente da República, que na quarta-feira avisou que um eventual chumbo do OE2022 "muito provavelmente" conduziria à dissolução do parlamento e a eleições antecipadas, com "seis meses de paragem na vida nacional".

Marcelo Rebelo de Sousa, que na sexta-feira irá receber os partidos com assento parlamentar no Palácio de Belém, afirmou também que "porque o bom senso mostra que os custos são muito elevados", o "natural é que, com mais entendimento, com menos entendimento, com mais paciência, com menos paciência, acaba por passar na Assembleia da República o Orçamento do Estado".

Francisco Rodrigues dos Santos notou que "cabe ao senhor Presidente da República avaliar" se o Governo "mantém condições governativas para exercer as suas funções" num "cenário de instabilidade política".

O presidente do CDS, e recandidato à liderança, foi também confrontado com as críticas do seu opositor na corrida, Nuno Melo, que afirmou na quarta-feira, no Facebook, que se "fosse presidente do CDS já teria falado ao país" sobre o OE2022 e questionado sobre a conferência de imprensa ter sido comunicada aos jornalistas horas depois dessa publicação.

"Acontece que Nuno Melo não é presidente do partido, o presidente do partido sou eu, e eu falo quando bem entender", respondeu Francisco Rodrigues dos Santos, alegando que não pôde pronunciar-se antes por não ser deputado.

O líder salientou ainda que "a posição do CDS está a tempo e horas, foi expressa ao país em primeiro pelo Grupo Parlamentar e agora pelo presidente do partido, numa dinâmica que é absolutamente normal e natural, que não deixa nenhum equívoco nem nenhuma dúvida sobre a orientação política" do CDS.

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