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Correio da Manhã

Política
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Pressionado na prisão

Luís Arouca, ex-reitor da Universidade Independente (UNI), alertou António Morais – que foi professor de quatro das cinco cadeiras de José Sócrates e que hoje deverá depor no Tribunal de Monsanto – para o facto de a polícia o ter questionado sobre as suas ligações ao ex-primeiro-ministro.
29 de Março de 2012 às 01:00
Luís Arouca é um dos arguidos do processo Universidade Independente, cujo julgamento prossegue hoje no Tribunal de Monsanto
Luís Arouca é um dos arguidos do processo Universidade Independente, cujo julgamento prossegue hoje no Tribunal de Monsanto FOTO: d.r.

"Tu sabes que os sacanas perguntaram-me, lá os gajos polícias, quais as minhas ligações", disse Arouca, num telefonema a 30 de Março de 2007, depois de Morais lhe ter ligado para saber como estava, uma vez que o ex--reitor tinha passado duas noites na prisão por causa do processo da UNI, onde é arguido.

Arouca conta como respondeu, mostrando que se referia a José Sócrates: " Eu disse logo: respeito-o muito. Só o conheci quando foi para a universidade".

No mesmo telefonema, o ex--reitor aproveita para dizer ao professor que continuam todos do mesmo lado e que está tudo controlado. "Tranquilize aí os nossos amigos que isto está tudo sob controlo", diz, sugerindo um encontro com Sócrates, mas sem o comprometer.

No final da conversa, Arouca considera que o facto de ter sido preso no processo da UNI foi um pretexto para lhe perguntarem em quem votava.

Desde o dia 17 de Março de 2007 que o antigo professor de José Sócrates fazia telefonemas a Luís Arouca para lhe dar instruções sobre o que responder aos jornalistas que colocavam em causa a forma como o ex-primeiro-ministro se licenciou.

A investigação à gestão da UNI atrapalha os planos de Morais para reunir documentação que prove a frequência do curso por José Sócrates, uma vez que não pode ir à universidade. Arouca diz-lhe mesmo que não é oportuno.

Nos telefonemas, é António Morais quem diz a Arouca que há mais alunos que tiveram o mesmo tratamento que o ex-primeiro-ministro e quem foram os professores das cadeiras. Num telefonema no dia 20 de Março, Morais diz ao ex-reitor que foi o engenheiro Fernando Guterres quem orientou o trabalho final de Sócrates. No entanto, no âmbito da investigação criminal à licenciatura de José Sócrates, do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), Morais disse que tinha sido ele próprio.

LUÍS AROUCA REITOR INDEPENDENTE UNIVERSIDADE JOSÉ SÓCRATES
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