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Correio da Manhã

Política
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Professores e operários atiram-se a Sócrates

Cerca de quatro centenas de pessoas, entre professores e trabalhadores da Johnson Controls de Nelas – que estão a ser alvo de um processo de despedimento colectivo – manifestaram-se ontem à noite em Mangualde em frente do edifício onde José Sócrates jantou com mais de 1200 militantes do PS.
22 de Outubro de 2006 às 00:00
O primeiro-ministro chegou a Mangualde às 18h00, hora e meia antes do previsto, mas os manifestantes já estavam à sua espera. A viatura onde seguia o secretário-geral do PS entrou pela lateral do edifício mas depois foi obrigado a passar a pé em frente aos manifestantes. Nessa altura, professores e operários empunharam os cartazes onde mostraram a sua insatisfação e palavras de ordem como “mentiroso”, “Sócrates aprende, o povo não se rende” e “carreira só há uma”.
Os professores manifestaram-se contra a alteração do estatuto da carreira docente, enquanto que os operários da Johnson Controls criticaram o facto de um representante do Governo ter anteontem falhado uma reunião entre os trabalhadores e a administração da empresa de capitais americanos. “Estamos com o desemprego à vista e o Governo não quer saber de nós”, referiu Maria Pinto, uma das operárias. José Sócrates passou muito perto dos manifestantes mas nem sequer olhou para eles.
Sócrates esteve em Mangualde na qualidade de líder do PS para apresentar a moção de Políticas de Orientação Nacional denominada de ‘O rumo do PS: Modernizar Portugal’. No entanto, em grande parte do seu discurso Sócrates ‘vestiu’ o cargo de primeiro-ministro para defender o Orçamento de 2007, justificar as reformas “que o Governo está a fazer na Educação e Segurança Social” e pedir “mais sacrifícios aos portugueses”.
Sobre o Orçamento, Sócrates referiu que “ a ciência e a investigação e a qualificação dos portugueses” vão ter “lugar central” nas políticas do Governo. “É um Orçamento de rigor e exigência para com os portugueses. Quem estava à espera de facilidades enganou-se redondamente”, afirmou o líder do PS aos militantes, garantindo que quer “continuar o caminho do reformismo”, salientou “os sinais positivos” que a economia “começa da dar” e a redução do desemprego. “As coisas estão a melhorar. Entre Junho de 2005 e Junho deste ano a nossa economia gerou 48 mil postos de trabalho. Já não acontecia há muitos anos”, referiu. Sobre as mudanças no estatuto da carreira docente, Sócrates disse que o Governo “quer melhorar o ensino público e premiar os bons professores”.
Respondendo às críticas da Oposição, Sócrates acha-as “incompreensíveis”. “Quem agora nos ataca foi quem criou os problemas há uns anos atrás”, referiu o líder do PS, garantindo que as Scut da Beira Interior não vão ter portagens enquanto “os níveis de desenvolvimento da região não atingirem a média nacional”.
HELENA ROSETA LANÇA AVISO A GOVERNO
Helena Roseta, ex-deputada socialista e presidente da Ordem dos Arquitectos, criticou ontem o Governo de estar a “tapar os ouvidos” e ser cego a “protestos, indignações e manifestações” devido a algumas medidas que estão a ser contestadas pelos socialistas. A criação de taxas moderadoras para internamentos e cirurgias é uma das medidas que Roseta considera inaceitável.
“Se o Governo confundir direitos adquiridos com privilégios, se confundir os protestos com ataques da oposição, poderá haver dentro do PS socialistas muito zangados com o PS” afirmou, considerando que isso poderá conduzir a uma “revolta interna”.
A socialista irá apresentar uma moção de estratégia global no próximo Congresso do partido, e adianta que não votará em Sócrates.
EM REDOR DA VISITA
CRÍTICAS DO PSD
A visita de José Sócrates a Mangualde, a segunda em menos de um mês, foi criticada pela Comissão Política Distrital de Viseu do PSD. José Cesário desafiou o primeiro-ministro a divulgar quais os serviços do Estado que vão fechar no distrito e a clarificar a sua posição sobre a eventual introdução de portagens na A24 e A25.
SALA PEQUENA
A sala onde se realizou o jantar foi pequena para albergar os militantes do Partido Socialista. Segundo a organização, estava prevista a presença de 1200 pessoas mas apareceram muitas mais, pelo que algumas tiveram que regressar a casa. Marcaram presença ainda diversos autarcas eleitos pelo partido bem como os deputados do distrito com assento na Assembleia da República.
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