Os profissionais do sexo querem ver o seu trabalho reconhecido como qualquer outra profissão, sem preconceitos e com direitos sociais e laborais iguais aos de todos os profissionais. A defesa dos direitos dos trabalhadores sexuais reuniu ontem cerca de 70 pessoas em Lisboa, que se associaram às cerca de 300 da parada Mayday-2010 para celebrar o Dia do Trabalhador.
"A prostituição é um trabalho como qualquer outro e deve ter os mesmos direitos e obrigações das outras profissões", afirmou Anabela Rocha, professora solidária com o movimento, denunciando a existência de "muitos interesses contra a liberalização da prostituição, pois há quem prefira não pagar impostos e viver à custa de uma economia paralela, das mais lucrativas do Mundo".
O largo de Camões, em Lisboa, foi o ponto de encontro de um movimento ainda sem líderes, cujo objectivo é ver reconhecidos os direitos sociais, humanos e laborais de todos os profissionais do sexo. Nesta definição, explicou Mariana Lemos, está incluída "desde a prostituição feminina e masculina, à de rua ou de acompanhantes de luxo, passando pelas strippers ou pelo electricista ou técnico de luz de um filme pornográfico".
O momento mais significativo da manifestação aconteceu quando os cerca de 70 activistas chegaram ao Intendente e abriram os respectivos chapéus de chuva vermelhos, símbolo da luta pelos direitos dos trabalhadores sexuais. ‘Prostituição é trabalho sexual. Trabalho sexual é trabalho’ ou ‘Eu não me vendo, alugo’ foram algumas das palavras de ordem escritas em vários cartazes.
PORMENORES
JERÓNIMO NO DISCURSO
Jerónimo de Sousa, o líder do PCP, assistiu ontem ao discurso do secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, em plena Alameda.
CONTESTAR O PEC
O coordenador da União dos Sindicatos do Porto garantiu que as medidas do PEC "vão merecer forte contestação social".
SALVAR POSTOS DO BPP
Afonso Diz, da União de Sindicatos Independentes, lembrou a necessidade de viabilizar o BPP para salvar empregos.
"PRECARIEDADE LABORAL REFLECTE-SE NA VIDA"
Rita Pimentel tem 30 anos e duas licenciaturas. Mas o currículo de pouco serve. "Sempre estive a recibos verdes, nunca tive nenhum contrato de trabalho." A jovem foi um dos muitos rostos a integrar a parada Mayday, desfilando em Lisboa em protesto contra a precariedade.
Actriz quando o contexto o permite, professora para pagar as contas, Rita confessa que "há alturas em que tem de fazer uma grande ginástica financeira". "Por vezes são os meus pais que me adiantam dinheiro para pagar despesas, pois há alturas em que leva algum tempo até receber." João Manso, 24 anos, bolseiro de investigação, é outro rosto da precariedade. Ainda vive em casa dos pais e, com o agravar da crise e um ‘fantasma’ chamado PEC, o ânimo é escasso: "Definitivamente, as coisas vão piorar." Sara Rocha, uma das organizadoras da Mayday, deixa o recado: "A precariedade laboral reflecte-se na vida."
NOTAS
CGTP: MANIFESTAÇÕES
A CGTP convocou para dia 29 de Maio uma grande manifestação nacional, motivada pelo congelamento de salários
UGT: ATAQUES
A UGT criticou ontem os ataques especulativos a Portugal, numa concentração que juntou em Lisboa 25 mil a 40 mil pessoas
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