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Correio da Manhã

Política

Promessa a Bruxelas de contas em ordem

Em dia de moção de censura ao Governo, o primeiro ministro mostrou estar mais preocupado com a cimeira extraordinária que hoje tem lugar em Bruxelas do que com a iniciativa do BE, condenada praticamente à nascença. E reservou a sua última intervenção para deixar uma mensagem aos líderes europeus: "Deve ser uma prioridade criar um mecanismo financeiro permanente para responder à situação que vivemos em 2010 e que ainda vivemos."
11 de Março de 2011 às 00:30
“Ouçam o que dirá o País na rua”, disse Louçã, sobre chumbo
“Ouçam o que dirá o País na rua”, disse Louçã, sobre chumbo FOTO: Pedro Catarino

Já na recta final do debate parlamentar, quando se esgotaram todas as acusações em redor da moção de censura, Sócrates optou por falar sobre a cimeira europeia que antecede o Conselho Europeu de 24 e 25 deste mês, garantindo que nesse encontro vai afirmar o compromisso de fazer "uma consolidação orçamental sem falhas" em 2011, 2012 e 2013. "Há responsabilidade europeia. Mas quanto à responsabilidade portuguesa têm aqui um Governo que tudo fará para pôr rapidamente as contas públicas em ordem", reforçou Sócrates, chamando a atenção para a importância da Zona Euro definir em agenda um pacto para a competitividade.

Apesar do chumbo da moção de censura já ser uma certeza, Sócrates não lhe poupou críticas. No arranque do debate, começou por atirar ao BE: "O radicalismo quis censurar o Governo, mas é ele que sai censurado." E logo de seguida disparou contra PSD e CDS, que há muito tinham garantido a abstenção. "Esta moção de censura não devia merecer outra coisa senão a condenação clara de um voto contra, mas há quem não tenha coragem para tal clareza, entretido que está a fazer contas aos seus interesses partidários de ocasião."

Para sustentar a abstenção do PSD, Miguel Macedo considerou que o Executivo "tem todas as condições que pediu para governar, para cumprir o Orçamento e para fazer aquilo que deve". Enquanto o líder do CDS, Paulo Portas, concluiu que esta é mais "uma moção de ternura ao Governo". O PCP votou a favor da moção de censura e Francisco Louçã, do BE, reagiu: "Ouçam o que dirá o País na rua."

O REGRESSO DE FERNANDO LIMA

Antigo assessor de imprensa de Cavaco Silva, substituído na sequência do chamado ‘caso das escutas de Belém’, Fernando Lima vai agora integrar o núcleo-duro da assessoria política do Presidente da República. O antigo director do ‘DN’ passou na altura a assessor do chefe da Casa Civil, Nunes Liberato, mas irá agora integrar a Assessoria para os Assuntos Políticos,

de onde sai João Carlos Espada, professor da Universidade Católica. Estas são as únicas mudanças previstas.

CRISE EXTERNA ESQUECIDA

O antigo presidente da República Ramalho Eanes considerou ontem "razoável" o discurso de posse de Cavaco Silva, sublinhando que o Chefe de Estado "esqueceu" a influência da crise externa no País. "Foi um discurso que, tendo em conta a situação actual, é razoável. Poder-se-á dizer que esqueceu a crise externa e a influência da crise externa na nossa própria crise", afirmou o ex-chefe de Estado. Ramalho Eanes encabeçou a comissão de honra da candidatura de Cavaco Silva à Presidência da República.

PS A FERVER COM CAVACO

O líder parlamentar do PS, Francisco Assis, um dos mais zangados com o discurso do Presidente na quarta-feira, tentou ontem pôr água na fervura. Apesar disso, as vozes críticas contra Cavaco continuam. Capoulas Santos, director da campanha de Sócrates, acusou Cavaco de ser sectário, José Lello disse que ele está ressabiado e zangado com o que se passou na campanha eleitoral e Ana Gomes diz mesmo que se fosse o primeiro-ministro apresentava a demissão.

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