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Correio da Manhã

Política
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PROTESTOS E DIVERGÊNCIAS AMEAÇAM CIMEIRA

A dois dias do início do Conselho Europeu de Sevilha, os Quinze estão divididos sobre questões fundamentais, como o combate à imigração ilegal, as ajudas directas a conceder aos agricultores dos países candidatos à adesão ou a política comum de pescas, na qual Portugal tem uma palavra a dizer.
19 de Junho de 2002 às 00:30
Mas se o ambiente à mesa das negociações não é o mais harmonioso, a atmosfera que rodeia a cimeira também não será das mais pacíficas, ou seja, Sevilha não constituirá excepção à regra que parece ter-se instalado sempre que se realiza uma reunião de maior importância e a capital da Andaluzia prepara-se para dias de gigantescas manifestações.


De acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Martins da Cruz, Portugal vai aproveitar a ocasião para lançar uma ofensiva contra as propostas de alteração à política comum de pescas apresentadas pela Comissão Europeia. Ontem, o primeiro-ministro espanhol e presidente em exercício da União Europeia, José María Aznar, tentou atenuar as divergências no seio dos Quinze.


"Trata-se de pequenas divergências que serão aplanadas e estou certo de que chegaremos a acordo em Sevilha", declarou Aznar, em Copenhaga, no final de um encontro com Anders Fogh Rasmussen, o primeiro-ministro da Dinamarca, país que no dia 1 assumirá a presidência rotativa da UE.


Aznar referia-se às divergências sobre o combate à imigração ilegal, nomeadamente no que respeita às sanções a aplicar aos países terceiros que não cooperem nesta luta. O primeiro-ministro espanhol preferiu não comentar as outras questões que dividem os parceiros europeus, das quais a mais importante é a ajuda aos agricultores de Leste. A falta de acordo neste domínio está a ameaçar atrasar todo o processo de alargamento da UE, previsto para 2004, e cuja data exacta deveria ser marcada durante o conselho de Sevilha.


A cimeira será acompanhada por manifestações organizadas por vários movimentos e nas quais participarão centenas de portugueses, entre os quais uma delegação do Bloco de Esquerda.


Além disso, as duas maiores centrais sindicais espanholas convocaram para a véspera da reunião, isto é, para amanhã, uma greve geral durante a qual não tencionam respeitar os serviços mínimos. Esta paralisação obrigou já o governo espanhol a alterar o programa da cimeira, adiando a abertura dos trabalhos para a tarde de sexta-feira.
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