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Correio da Manhã

Política
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PS apoia autarca acusado

O presidente do PS de Coimbra, Victor Baptista, disse ontem que o vereador socialista da autarquia local e líder concelhio, Luís Vilar, acusado do crime de financiamento partidário ilícito, não vai suspender o mandato na Câmara.
21 de Outubro de 2007 às 00:00
Victor Baptista 'compreende' os argumentos de Luís Vilar
Victor Baptista 'compreende' os argumentos de Luís Vilar FOTO: Paulo Novais
O também deputado do PS manifestou-se ainda “surpreendido” pela acusação de financiamento partidário ilícito imputado a Luís Vilar, afirmando que o PS de Coimbra e a campanha para as autárquicas de 2005 “não estiveram sob investigação financeira”, nem o líder concelhio tinha responsabilidades financeiras dentro do PS.
“O Luís Vilar não vai suspender o mandato, já o suspendeu durante um ano para permitir a investigação, se o fizer agora perde o mandato”, afirmou Victor Baptista. Entre as acusações do Ministério Público, destaca-se, como o CM revelara no início de Outubro em primeira mão, a de corrupção passiva para acto ilícito, alegadamente por ter recebido 50 mil euros do sócio-gerente da Bragaparques Domingos Névoa.
Baptista, candidato derrotado às autárquicas de 2005, diz que falou com Luís Vilar na sexta-feira sobre a eventual suspensão do mandato e que o autarca garantiu a sua inocência das acusações de que é alvo.
Luís Vilar “considera-se inocente, vai pedir de imediato a abertura da instrução [do processo], compreendo os argumentos dele”, disse Victor Baptista. E frisou: “É uma decisão muito pessoal, respeito a decisão dele. Se for condenado é outra questão, para resolver na altura própria”.
Segundo a acusação, Luís Vilar solicitou e recebeu 10 mil euros em numerário a um promotor imobiliário, destinados à campanha autárquica do PS em 2005. Além de “ocultar a proveniência” do donativo, o líder concelhio não terá passado recibo ao empresário e omitido o financiamento ao mandatário financeiro da campanha do PS, tendo utilizado cinco mil dos 10 mil euros para fazer um donativo pessoal para as contas da candidatura.
Victor Baptista confirma o donativo de cinco mil euros entregue por Luís Vilar “o máximo permitido por lei a cada cidadão”, garantindo que lhe foi entregue um recibo dessa quantia.
"MONTANHA VAI PARIR UM RATO"
O vereador socialista da autarquia de Coimbra, Luís Vilar, afirmou ontem estar inocente dos cinco crimes de que é acusado e apontou falta de consistência à acusação. “Há falta de consistência da acusação, a montanha vai parir um rato”, afirmou. Escusando-se entrar em detalhes, garantiu que todos esses elementos estão na posse do seu advogado [Castanheira Neves], “que está a preparar a defesa” e vai requerer a instrução do processo. Disse que um alegado financiamento partidário ilícito de 10 mil euros, montante que terá pedido a um promotor imobiliário para a campanha autárquica local do PS em 2005, “não cabe na cabeça de ninguém”.
“Estou consciente da minha inocência. Nunca tive responsabilidades financeiras no PS de Coimbra, [a acusação] é uma coisa sem jeito nenhum”, argumentou, considerando “ridículo” o crime de corrupção passiva para acto ilícito de que também é acusado.
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