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Correio da Manhã

Política
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PS atira para o PSD guerra do financiamento dos partidos com Belém

PS, PSD e PCP tentaram justificar que o processo legislativo correu nos trâmites normais.
Diana Ramos 5 de Janeiro de 2018 às 01:30
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PS, PSD e PCP tentaram justificar que o processo legislativo correu nos trâmites normais.
O PS colocou do lado do PSD a decisão de abrir uma guerra política com o Presidente da República. O deputado socialista Jorge Lacão insinuou no Parlamento que a insistência na alteração às regras do financiamento dos partidos – forçando Marcelo Rebelo de Sousa a promulgar o diploma sem alterações aos pontos polémicos do limite dos donativos e à isenção de IVA – dependerá dos sociais-democratas.

Questionado pelo CDS sobre se acatará o veto, Lacão deixou a frase: "Trabalhámos em conjunto procurando o máximo de consenso possível, não descolamos dessa atitude e vamos mantê-la até ao fim." O recado terá como destinatário o PSD, que pediu o adiamento da reapreciação da lei para depois do congresso, altura em que terá novo líder formalmente empossado – Rui Rio ou Santana Lopes. De forma clara, só o PCP e Os Verdes defenderam o reenvio para Belém sem alterações.

Ontem, apesar das críticas do Chefe de Estado, quase todos os partidos saíram em defesa da forma como a negociação das alterações ao financiamento partidário foi feita. Lacão chegou a recordar as conversas informais que teve com Marques Mendes, então líder parlamentar do PSD, para o acordo de revisão constitucional. "Esse comentador reuniu comigo informalmente, na minha condição de líder parlamentar do PS, e vinculámos os dois partidos a um acordo", lembrou o socialista, frisando que "na altura era presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa". E vincou que sempre foram normais "grupos informais para obterem consensos em matérias políticas".

Só o CDS destoou do tom. Nuno Magalhães repetiu que faz sentido limitar o montante máximo dos donativos, pois "os partidos são os únicos que podem ganhar eleições, governar o País e, para evitar promiscuidades, é preciso que haja esses limites". Cecília Meireles também foi dura: "Se este Parlamento continuar a achar que correu tudo bem com o processo estamos a cavar um grande fosso."

Amorim abandona grupo da eutanásia
O deputado do PSD Carlos Abreu Amorim anunciou que vai abandonar o grupo de trabalho sobre a eutanásia, pois "os grupos de trabalho morreram" com a polémica sobre o financiamento dos partidos. "São tidos como grupos secretos, de conspiração."

Picardia entre CDS e PCP
Um dos momentos mais quentes do debate foi a troca de palavras entre o deputado do PCP António Filipe e o centrista António Carlos Monteiro. "Os senhores vivem à conta dos contribuintes", atirou o deputado comunista. Na resposta, o centrista disse que "o pior que pode acontecer é dar-se razão aos populismos".

José Silvano
O deputado do PSD liderou o grupo de trabalho que preparou as alterações à lei e insistiu que em causa estão sobretudo correções pedidas pelo Tribunal Constitucional, mas garantiu assumir responsabilidades. O social-democrata afirmou que a opinião pública foi "intoxicada".
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