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Correio da Manhã

Política
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PS EXIGE OUVIR PAULO PORTAS

O PS quer saber quais são os alegados lóbis no sector da Defesa a que Paulo Portas se refere. A direcção da bancada parlamentar do PS decidiu ontem pedir uma audição urgente ao Ministro da Defesa Nacional, em sede da comissão parlamentar.
23 de Setembro de 2002 às 23:39
A alegada a existência de lóbis poderosos que dominam o sector da Defesa tem sido referida pelo CDS-PP. O próprio líder popular assumiu que não cederia a nenhum interesse “a não ser o nacional”, lembrando que está em curso a preparação da Lei da Programação Militar (LPM), o que pode mexer com muitos interesses. Aliás, esta tese tem sido repetidamente sublinhada pelos dirigentes democratas-cristãos, designadamente Luís Nobre Guedes, que na noite de quinta-feira, dia em que foi feito o apelo à manifestação, também se referiu a esses interesses instalados.

Agora, o PS pretende que o ministro especifique quais são os lóbis e insiste em ouvir Nobre Guedes e António Pires de Lima, porta-voz do CDS-PP. Os socialistas entendem que os dois dirigentes populares proferiram declarações "preocupantes" sobre a alegada existência de lóbis no sector na Defesa, argumentando que tais interesses estariam na base da campanha contra Portas, designadamente no caso Moderna. Esta matéria foi, aliás, abordada na última comissão directiva do partido e tem sido defendida até pelas próprias bases do CDS-PP.

Contactado pelo CM, Pires de Lima preferiu guardar a sua posição para mais tarde, uma vez que, desconhecia os termos do pedido socialista.

Guilherme Silva, líder parlamentar do PSD, é que já disse, em declarações à TSF, que os socialistas “perderam a cabeça”. A decisão do grupo parlamentar do PS surge na sequência de uma carta enviada sexta-feira pelo secretário-geral socialista, Ferro Rodrigues, ao procurador Geral da República, Souto Moura, na qual pedia que se averiguasse a actuação desses lóbis no sector militar.

Depois de Portas ter afirmado que não diria “nem mais uma palavra”, o PS opta, assim, por levar o ministro ao Parlamento para falar sobre esses “interesses”, apesar de precisar dos votos do PSD para o conseguir. Além dos eventuais esclarecimentos do ministro da Defesa, o objectivo do PS é manter o assunto na ordem do dia para pressionar o Governo.

No CDS-PP, como a palavra de ordem é o silêncio, o partido prefere nem divulgar os resultados das audiências pedidas ao Presidente da República, procurador-geral da República e presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Os populares aguardam pelo final do julgamento do caso Moderna para poderem encerrar este processo e não querem ouvir falar em cenários sobre eventuais factos novos que possam levar o ministro a demitir-se. Ou seja, vão ter de gerir o silêncio de Portas nos próximos nove meses.

Entretanto, o ministro da Agricultura, Sevinate Pinto, solidarizou-se com Portas, remetendo as críticas de Duarte Lima e Pacheco Pereira para o plano de “relações pessoais conturbadas”, cita a Lusa.

CGTP quer investigação sobre rendimentos

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, pediu ontem uma investigação aos rendimentos de Paulo Portas enquanto gerente da "Amostra", empresa criada pela Universidade Moderna, para verificar se foram declarados ao fisco.
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