Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
7

PS exige toda a verdade

O líder do PS afirmou ontem que, se o PS ganhar as eleições e formar Governo, irá convidar Vítor Constâncio para investigar as contas públicas.
7 de Janeiro de 2005 às 00:00
"Vamos convidar o governador do Banco de Portugal para apurar a verdade sobre o défice orçamental”, revelou José Sócrates, defendendo ainda que o défice português está acima dos cinco por cento.
Esta medida, apresentada após uma reunião com o Conselho Económico do PS, também foi tomada por Manuela Ferreira Leite logo após tomar posse como ministra das Finanças, em 2001, no Governo de Durão Barroso, para averiguar o valor do défice deixado pelo Governo socialista de António Guterres.
Ontem de manhã, o líder do PS reuniu-se no Centro Cultural de Belém (CCB) com os cabeças de lista do partido para analisar a estratégia política. À tarde, também no CCB, José Sócrates voltou a reunir-se, mas desta vez com o Conselho Económico para definir o programa económico do PS. No final do encontro, José Sócrates garantiu que o principal objectivo do partido é colocar Portugal a crescer de forma sustentada “acima dos três por cento, até ao final da legislatura”. O combate ao desemprego é outro objectivo central do PS. José Sócrates, que tem responsabilizado o Governo PSD/CDS-PP pela perda de 150 mil empregos, frisou que tem como objectivo “recuperar os postos de trabalho perdidos nos últimos três anos”.
O terceiro compromisso socialista passa pela estabilização das contas públicas. “O objectivo do PS é colocar o défice público nos limites do Pacto de Estabilidade e Crescimento sem recorrer às receitas extraordinárias no período de uma legislatura”, sublinhou José Sócrates, para quem “as receitas extraordinárias não podem ser uma forma de mascarar o défice”.
Questionado sobre a revisão em baixa das previsões de crescimento económico para 2005 do Banco de Portugal (BP), José Sócrates considerou que as declarações de Vítor Constâncio “são graves” e “põem em causa todos os fundamentos da política económica do Executivo PSD/CDS-PP. O BP prevê um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano de 1,6 por cento, admitindo que o ritmo de crescimento possa mesmo ser inferior a este valor, enquanto o Governo prevê que a economia portuguesa cresça 2,4 por cento este ano”.
AS FEDERAÇÕES É QUE DECIDIRAM
O secretário-geral do PS, José Sócrates justificou ontem a ausência de Helena Roseta das listas e a colocação de Sónia Fertuzinhos em lugar não elegível como uma opção das federações do partido. “Helena Roseta não foi indicada por nenhuma federação e não quis ser pela quota do partido. Não há lugares cativos e é natural que haja renovação”, frisou o líder do PS. A inclusão de Sónia Fertuzinhos, presidente do Departamento das Mulheres Socialistas, como número 12 na lista de Braga também foi justificada por José Sócrates como uma opção das federações.
MANUEL DE PINHO DÁ CONTRIBUTO
O porta-voz do PS para os assuntos económicos e cabeça de lista por Aveiro apresentou uma série de recomendações do Conselho Económico que poderão ter tradução no programa eleitoral socialista, como, por exemplo, o critério para a revisão do Pacto de Estabilidade. “A nossa posição é a de assegurar a verificação do défice orçamental e não em termos pontuais, mas em termos cíclicos e dar mais valor ao critério da sustentabilidade das finanças públicas” – afirmou.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)