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Correio da Manhã

Política
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PS MODERADO

José Sócrates quer um Partido Socialista moderado, com coragem para concorrer sozinho a todas as eleições e sem desdenhar a herança política dos Governos de António Guterres.
25 de Setembro de 2003 às 00:00
José Sócrates considera que o PS deve concorrer sozinho a todas as eleições
José Sócrates considera que o PS deve concorrer sozinho a todas as eleições FOTO: Ramiro de Jesus
Depois de José Lello, Jaime Gama e Pina Moura, foi a vez do ex-ministro do Ambiente se distanciar do rumo adoptado pelo actual secretário-geral do PS, propondo mesmo a reabilitação dos Estados-Gerais.
Num debate com militantes do PS de Benfica, realizado na terça-feira à noite, José Sócrates defendeu que o PS deve continuar "a representar a esquerda moderada em Portugal, confiante em si própria, com o rosto virado para o futuro". Cauteloso, como é seu timbre, o deputado nunca criticou directamente Ferro Rodrigues, mas as ilações políticas são bastante óbvias.
"Seria um erro se o PS começasse agora a correr atrás de todos os movimentos de contestação social", acrescentou, "temos de fazer uma oposição energética, mas moderada".
Sócrates fez questão de se demarcar também "daqueles que pensam renovar a esquerda em nome do abandono daquilo que se fez ao longo dos seis anos de Governos" de António Guterres e fez questão de deixar bem clara a sua posição sobre eventuais coligações.
O PS, afirmou, respeitará "a sua tradição" se concorrer sozinho a "todas as próximas eleições". No entanto, não deixou de advertir que a definição estratégica do partido, com ou sem alianças, não deve ser adiada até às eleições legislativas de 2006. "Tem de haver uma clareza estratégica já".
Posições já assumidas por outros dirigentes do PS, mas que ganham especial importância se tivermos em conta que José Sócrates é apontado como um dos mais prováveis candidatos ao lugar de Ferro Rodrigues.
Ainda ontem, o seu colega de partido José Lello disse ao Correio da Manhã que concorda plenamente com as posições assumidas por José Sócrates, nomeadamente do que diz respeito à reabilitação dos Estados-Gerais. "É importante fazer alianças com áreas de intervenção, não com siglas", defendeu.
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