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Correio da Manhã

Política
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PS "não pode pactuar" com caminho de austeridade

O secretário-geral do PS, António José Seguro, assegurou neste domingo que o PS "não pode pactuar" nem será "cúmplice do caminho de austeridade" seguido pelo Governo, garantindo que isso terá consequências na votação do Orçamento de Estado para 2013.
9 de Setembro de 2012 às 14:59
Líder do partido não esclareceu os jornalistas sobre se o partido irá votar contra o orçamento
Líder do partido não esclareceu os jornalistas sobre se o partido irá votar contra o orçamento FOTO: José Sena Goulão/Lusa

"O PS não pode pactuar com um caminho de que discorda. Assim não. O Governo não muda, esticou a corda e o PS prefere um caminho alternativo. Não somos nem seremos cúmplices das políticas erradas do actual primeiro-ministro", afirmou o líder socialista, na Universidade de Verão do PS, em Penafiel.

Numa primeira reacção às medidas anunciadas na sexta-feira pelo primeiro-ministro, António José Seguro lembrou que o Governo tem insistido "na política que se tem revelado um fracasso" e que assim o "país não vai lá".

"É tempo de separar as águas de um modo mais claro. Avisei várias vezes que a austeridade do 'custe o que custar' está a aumentar a pobreza", referiu.

No seu entender, "quando o primeiro-ministro opta pelas medidas [que anunciou na sexta-feira], não pode ignorar o que o PS tem dito e as consequências que terá na votação do Orçamento de Estado para 2013".

Segundo o secretário-geral socialista, "o caminho do Governo não é o caminho do PS e da maioria dos portugueses".

No final da declaração política que fez na Universidade de Verão, o líder do PS não esclareceu os jornalistas sobre se o partido irá votar contra o orçamento.

No seu discurso perante dezenas de militantes do PS da zona do Porto, que encerrou a Universidade de Verão realizada por aquela federação distrital, António José Seguro destacou que as medidas de austeridade anunciadas na sexta-feira por Pedro Passos Coelho "ultrapassam todos os limites" e visam "tapar os buracos da política do primeiro-ministro".

 


"O Governo ataca os trabalhadores, provocando o agravamento das injustiças e desigualdades sociais", disse, frisando que o aumento anunciado da Taxa Social Única (TSU) "penaliza mais os portugueses que menos recebem".

Muito aplaudido pelos militantes, Seguro criticou a "teimosia" do primeiro-ministro em seguir uma receita com resultados conhecidos: "mais desemprego, menos economia, mais dívida pública, mais falências e nem sequer o objectivo do défice foi alcançado".

Por isso, insistiu, o PS opõe-se às novas medidas e salientou haver outro caminho, com mais tempo para consolidar as contas públicas.

António José Seguro sublinhou que o primeiro-ministro está "isolado na defesa ideológica" de uma política de empobrecimento do país e que "também na Europa o Governo está isolado na defesa de uma linha que ninguém se atreve a defender, nem mesmo no BCE [Banco Central Europeu]".

O socialista apontou, aliás, o "falhanço político" de Pedro Passos Coelho "ao excluir-se de um novo consenso político europeu" e lembrou que, ao contrário do Governo, há um ano que o PS defende um papel mais activo do BCE.

"O primeiro-ministro sempre se opôs e agora vem congratular-se", criticou o líder socialista.

António José Seguro considerou que, perante "o fracasso" do Governo, "os portugueses exigem que o PS seja a alternativa política".

"Nós somos a alternativa responsável a este Governo e a esta maioria", concluiu.

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